
Nota ao Leitor
Não me sinto à vontade para reproduzir ou discutir, de forma literal, situações específicas contidas nos rituais maçônicos. A Maçonaria é uma ordem iniciática que preserva seus ensinamentos simbólicos dentro de um contexto apropriado, respeitando sua natureza tradicional, pedagógica e filosófica. Esses ensinamentos foram concebidos para serem vivenciados e compreendidos progressivamente, dentro do ambiente que lhes é próprio, e não analisados isoladamente ou fora de seu contexto.
No entanto, reconheço que determinadas expressões associadas à iniciação maçônica tornaram-se amplamente divulgadas na internet, muitas vezes apresentadas de forma incompleta, distorcida ou desprovida de seu verdadeiro significado simbólico. Entre essas expressões, a ideia de que alguém “estava nas trevas e agora busca a luz” tem sido frequentemente utilizada por críticos e opositores da Maçonaria como um argumento para sugerir, equivocadamente, que um cristão estaria abandonando sua fé, rejeitando sua salvação ou substituindo sua crença religiosa ao ingressar na Ordem.
Essa interpretação não corresponde à realidade nem à intenção simbólica da tradição maçônica. Infelizmente, a falta de compreensão sobre a linguagem alegórica utilizada pela Maçonaria tem levado a conclusões precipitadas, alimentando preconceitos e desinformação.
Por essa razão, sinto-me na obrigação moral e intelectual de esclarecer essa questão de forma honesta, respeitosa e fundamentada, não revelando aspectos ritualísticos, mas explicando o verdadeiro significado filosófico, simbólico e humano dessa linguagem.
Este esclarecimento não tem como objetivo convencer ninguém a ingressar na Maçonaria, tampouco interferir nas convicções religiosas de qualquer pessoa. Seu propósito é simplesmente dissipar um mal-entendido que tem sido repetido com frequência, permitindo que cada leitor possa formar sua própria compreensão com base em informações corretas, equilibradas e contextualizadas.
A Maçonaria não exige que ninguém abandone sua fé. Ao contrário, ela incentiva cada homem a tornar-se mais consciente de si mesmo, mais responsável por suas ações e mais comprometido com os valores universais da verdade, da justiça e da virtude.
É dentro desse espírito de respeito à verdade e de compromisso com o esclarecimento que este texto é apresentado.
A Força das Palavras e o Peso dos Símbolos
Poucas expressões dentro da tradição maçônica despertaram tantas dúvidas quanto aquela que afirma que um homem estava nas trevas e agora busca a luz. Essa frase, quando observada de forma isolada e sem o devido entendimento do contexto simbólico em que está inserida, pode facilmente ser interpretada de maneira equivocada. O problema não reside na frase em si, mas na tendência moderna de interpretar literalmente aquilo que foi concebido para ser compreendido simbolicamente.
A Maçonaria é uma instituição que se expressa por meio de símbolos. Essa característica não é exclusiva dela. Ao longo da história humana, os maiores ensinamentos sempre foram transmitidos por meio de alegorias, parábolas e imagens simbólicas. O próprio Cristo ensinava através de parábolas, não porque desejasse obscurecer a verdade, mas porque compreendia que certas verdades só podem ser plenamente assimiladas quando o indivíduo está preparado para compreendê-las interiormente.

Quando a Maçonaria fala em trevas e luz, ela está utilizando uma linguagem universal, presente na filosofia, na religião e na própria experiência humana. Desde os tempos mais antigos, a luz tem sido associada ao conhecimento, enquanto as trevas simbolizam o estado anterior ao despertar da consciência.
Um homem pode ser instruído, educado e religioso, e ainda assim não ter iniciado um processo consciente de reflexão profunda sobre si mesmo. Esse estado não é um estado de condenação espiritual, mas um estado natural da condição humana. O despertar desse estado é o início de uma jornada interior.
Esclarecimento Fundamental: A Declaração Não Possui Natureza Religiosa
Neste ponto, é absolutamente essencial esclarecer uma questão que frequentemente gera preocupação, especialmente entre cristãos sinceros que valorizam profundamente sua fé em Jesus Cristo. Quando um homem que é cristão afirma simbolicamente que estava nas trevas e agora busca a luz, essa declaração não significa, em hipótese alguma, que Cristo seja as trevas, nem implica que ele estivesse espiritualmente afastado de Cristo antes de sua iniciação maçônica. Essa interpretação seria completamente incompatível tanto com a fé cristã quanto com o verdadeiro significado do simbolismo maçônico.
A linguagem utilizada pela Maçonaria não se refere à condição espiritual do indivíduo diante de Deus, nem pretende avaliar ou julgar sua situação religiosa. Trata-se de uma linguagem simbólica universal que descreve o estado natural do homem em relação ao autoconhecimento, à consciência filosófica e ao aperfeiçoamento moral. Essa distinção é fundamental, pois a Maçonaria não se apresenta como um caminho de salvação religiosa, nem como um substituto da fé pessoal de seus membros.
A prova mais evidente dessa realidade está no fato de que a Maçonaria recebe homens de diferentes religiões, desde que sejam livres e de bons costumes e professam fé em um princípio criador. Um cristão passa pela mesma experiência simbólica que um judeu, um muçulmano ou um adepto de outra tradição religiosa. Se um homem pertencente ao Candomblé, por exemplo, ingressa na Maçonaria, ele também passará pela mesma cerimônia simbólica e expressará o mesmo desejo de buscar a luz. Seria ilógico afirmar, nesse caso, que ele estivesse renunciando à sua própria fé ou declarando que sua religião anterior fosse trevas no sentido espiritual. O simbolismo é o mesmo para todos, independentemente de suas crenças pessoais, justamente porque não se refere à religião, mas à condição humana universal diante do conhecimento e do aperfeiçoamento interior.
Essa universalidade demonstra de forma inequívoca que a expressão não possui natureza teológica ou religiosa, mas filosófica e simbólica. Ela descreve o estado de todo homem antes de iniciar conscientemente um processo de reflexão profunda sobre si mesmo, sua conduta e sua responsabilidade moral. Não se trata de uma avaliação espiritual feita pela Maçonaria, nem de uma declaração de conversão religiosa, mas de uma metáfora que expressa o início de um caminho de autoconhecimento.
Para o cristão, Cristo continua sendo a luz espiritual do mundo, conforme afirmado no Evangelho de João: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Essa verdade permanece intacta e inalterada. A experiência simbólica maçônica não substitui essa luz espiritual, nem pretende ocupar seu lugar. Ela se refere ao desenvolvimento da consciência humana, ao aperfeiçoamento moral e à responsabilidade individual na construção do próprio caráter.
O Verdadeiro Significado das Trevas na Experiência Humana
As trevas, no contexto maçônico, não representam o pecado religioso nem indicam afastamento de Deus. Elas representam o estado de inconsciência em relação a certos aspectos mais profundos da própria natureza humana. Esse estado é comum a todos os homens em algum momento de suas vidas.
O ser humano nasce sem conhecer plenamente a si mesmo. Ele cresce aprendendo sobre o mundo exterior, desenvolvendo habilidades, adquirindo conhecimentos técnicos e construindo sua identidade social. No entanto, raramente é incentivado a examinar profundamente sua própria natureza interior.
Muitos homens vivem suas vidas inteiras sem jamais questionar seriamente suas próprias motivações, seus medos, suas fraquezas e suas virtudes. Eles vivem de acordo com hábitos, influências externas e circunstâncias, sem desenvolver plenamente a consciência de si mesmos.
Esse estado não é um erro moral. É simplesmente o ponto de partida da jornada humana.
Quando a Maçonaria fala das trevas, ela está se referindo a esse estado inicial, no qual o homem ainda não iniciou conscientemente o trabalho de aperfeiçoamento interior.
Não se trata de um julgamento religioso. Trata-se de uma descrição simbólica de uma condição universal.
A Luz Como Símbolo de Consciência e Conhecimento

A luz, no contexto simbólico maçônico, representa o despertar da consciência e o início de um processo deliberado de transformação interior. Esse despertar ocorre quando o homem, de maneira consciente e voluntária, volta sua atenção para dentro de si mesmo e passa a refletir sobre sua própria natureza, suas imperfeições e suas responsabilidades morais. Trata-se de um momento decisivo em sua trajetória pessoal, pois marca a transição entre uma existência vivida de forma automática, guiada apenas pelas circunstâncias externas, e uma existência orientada pela reflexão, pela consciência e pelo propósito. Ao buscar a luz, o homem demonstra sua disposição de compreender melhor a si mesmo e de assumir um papel ativo na construção de seu próprio caráter.
Esse simbolismo não é exclusivo da Maçonaria, mas faz parte de um patrimônio filosófico e espiritual compartilhado por diversas tradições ao longo da história. Na tradição cristã, por exemplo, a luz está diretamente associada à verdade, à revelação e à presença divina. Cristo é apresentado como a luz do mundo, aquele que ilumina o caminho do homem e lhe oferece orientação espiritual. Essa luz espiritual, para o cristão, permanece sendo o fundamento de sua fé e de sua salvação. Dentro da Maçonaria, entretanto, o uso desse simbolismo se volta para o campo do aperfeiçoamento moral e do desenvolvimento da consciência, enfatizando o esforço individual de crescimento interior e de aprimoramento do caráter.
A luz maçônica deve ser compreendida como uma representação do conhecimento, da lucidez moral e da capacidade de discernimento que o homem desenvolve ao longo de sua jornada de aperfeiçoamento. Ela simboliza o momento em que o indivíduo passa a enxergar com maior clareza suas próprias limitações e potencialidades, compreendendo que seu desenvolvimento depende de esforço constante, disciplina e honestidade consigo mesmo. Esse processo não ocorre de maneira imediata, mas se constrói gradualmente, por meio da reflexão, da experiência e da prática contínua das virtudes. A luz, portanto, não é algo que se recebe passivamente, mas algo que se conquista através do trabalho interior e da disposição sincera de evoluir como ser humano.
A Natureza Filosófica da Maçonaria
Grande parte das incompreensões que cercam a Maçonaria decorre da suposição equivocada de que ela pretende ocupar o lugar da religião ou oferecer uma alternativa espiritual à fé tradicional. Essa interpretação não corresponde à realidade nem ao propósito da instituição. A Maçonaria não foi concebida como um sistema religioso, nem possui uma doutrina de salvação, um corpo sacerdotal ou práticas sacramentais. Sua natureza é essencialmente filosófica e moral, voltada para o desenvolvimento do caráter humano e para o incentivo à reflexão sobre os princípios que devem orientar a conduta de um homem justo e íntegro.
Desde suas origens especulativas, a Maçonaria tem se apresentado como uma escola simbólica de aperfeiçoamento humano, cujo objetivo é estimular o indivíduo a examinar sua própria vida com honestidade e a trabalhar continuamente no aprimoramento de suas virtudes. Esse processo é fundamentado na ideia de que o homem possui a responsabilidade de construir a si mesmo, não apenas em termos intelectuais, mas também em termos morais. Ao incentivar essa construção interior, a Maçonaria não interfere na fé religiosa de seus membros, mas oferece um ambiente que favorece o desenvolvimento da consciência ética e da responsabilidade pessoal.
Esse enfoque está em plena harmonia com os ensinamentos cristãos, que também enfatizam a importância do aperfeiçoamento moral e da prática das virtudes. O próprio Cristo ensinou que o homem deve agir com justiça, amar o próximo e buscar a verdade em sua vida diária. A Maçonaria reforça esses valores ao incentivar seus membros a viverem de acordo com princípios elevados de conduta, promovendo a honestidade, a retidão e o respeito ao próximo como fundamentos essenciais da vida em sociedade. Dessa forma, sua proposta não se apresenta como uma substituição da fé, mas como um caminho de desenvolvimento moral que pode coexistir plenamente com as convicções religiosas de cada indivíduo.
A Experiência do Despertar Interior
O momento em que o homem decide buscar a luz representa um marco significativo em sua trajetória pessoal, pois simboliza sua decisão consciente de assumir responsabilidade por seu próprio crescimento interior. Até esse momento, é comum que o indivíduo viva guiado principalmente por hábitos, influências externas e circunstâncias, sem dedicar atenção profunda à análise de sua própria conduta. Ao iniciar essa busca, ele passa a examinar suas ações com maior clareza e a refletir sobre as motivações que orientam suas escolhas, desenvolvendo uma consciência mais profunda de si mesmo e de seu papel no mundo.

Esse despertar interior não depende exclusivamente de qualquer instituição, pois trata-se de um processo que pode ocorrer em diferentes contextos e momentos da vida. No entanto, a Maçonaria oferece um ambiente simbólico e estruturado que incentiva e fortalece essa jornada, proporcionando ensinamentos, reflexões e uma convivência fraterna que favorecem o desenvolvimento moral. Por meio de sua linguagem simbólica, ela estimula o indivíduo a compreender que seu verdadeiro progresso depende de seu próprio esforço e de sua disposição em trabalhar constantemente no aperfeiçoamento de seu caráter.
O elemento central dessa experiência não está nos símbolos em si, mas na transformação interior que eles procuram despertar. O homem passa a perceber que sua evolução depende de sua capacidade de reconhecer suas imperfeições e de agir de forma consciente para superá-las. Esse processo exige coragem, disciplina e humildade, pois implica confrontar suas próprias limitações e assumir a responsabilidade por seu próprio crescimento.
A Compatibilidade com a Fé Cristã
Para o cristão, a fé em Cristo permanece como o fundamento de sua vida espiritual e a fonte de sua salvação. A Maçonaria não altera essa realidade, nem exige que o indivíduo abandone suas convicções religiosas. Sua proposta está situada em um plano diferente, voltado para o aperfeiçoamento moral e para o desenvolvimento da consciência humana. Ao ingressar na Maçonaria, o cristão não substitui sua fé, mas passa a participar de um ambiente que incentiva a prática de virtudes que já fazem parte dos ensinamentos cristãos, como a honestidade, a caridade e o respeito ao próximo.
Ao longo da história, muitos homens profundamente comprometidos com sua fé cristã participaram da Maçonaria sem qualquer conflito com suas crenças. Esses homens compreenderam que a proposta maçônica não interferia em sua relação com Deus, mas contribuía para fortalecer sua responsabilidade moral e seu compromisso com a virtude. A Maçonaria incentiva seus membros a viverem de forma mais consciente e responsável, promovendo valores que estão em consonância com os princípios éticos ensinados pelo Cristianismo.
Essa compatibilidade se baseia no fato de que a Maçonaria não pretende oferecer uma nova forma de salvação, mas estimular o homem a desenvolver plenamente seu caráter e sua consciência moral. O cristão continua encontrando em sua fé o fundamento de sua vida espiritual, enquanto a Maçonaria atua como um espaço de reflexão e crescimento humano, contribuindo para o desenvolvimento de qualidades que fortalecem sua conduta e sua integridade.
É importante afirmar com absoluta clareza que, quando um cristão participa da simbologia maçônica e expressa o desejo de sair das trevas em busca da luz, ele não está negando Cristo, nem afirmando que Cristo seja as trevas. Essa interpretação não possui fundamento na realidade da tradição maçônica nem na experiência de seus membros. O cristão continua reconhecendo Cristo como sua luz espiritual e seu salvador, conforme sua fé ensina. A linguagem maçônica, nesse contexto, refere-se exclusivamente ao desenvolvimento da consciência moral e do autoconhecimento, não à condição espiritual do homem diante de Deus. O simbolismo é universal e aplica-se igualmente a homens de todas as religiões, demonstrando que seu significado não é teológico, mas filosófico e humano.

O Caráter Universal da Linguagem Maçônica
A Maçonaria, desde suas origens especulativas, sempre se apresentou como uma fraternidade universal, aberta a homens de diferentes religiões, culturas e origens sociais. Essa característica é essencial para compreender corretamente sua linguagem simbólica. Seus ensinamentos são estruturados de forma a não favorecer uma religião específica, mas a respeitar e valorizar a fé individual de cada membro.
Essa neutralidade religiosa não significa indiferença à fé, mas respeito profundo à liberdade de consciência. A Maçonaria não ensina uma teologia própria, nem oferece uma doutrina religiosa alternativa. Em vez disso, ela incentiva cada homem a permanecer fiel à sua própria religião e a praticá-la com sinceridade e dedicação.
Nesse sentido, o simbolismo das trevas e da luz não está relacionado à religião que o indivíduo professa, mas ao seu estado de consciência em relação ao próprio desenvolvimento interior. Um cristão não deixa de ser cristão ao ingressar na Maçonaria, assim como um adepto de qualquer outra religião não abandona sua fé por esse motivo. Cada homem continua encontrando em sua própria religião o fundamento de sua vida espiritual.
A Maçonaria atua em outro plano, incentivando o homem a tornar-se mais consciente, mais disciplinado e mais comprometido com os valores morais que sua própria fé já ensina. Ela não substitui a religião, mas incentiva o indivíduo a vivê-la com maior profundidade e responsabilidade.
O Verdadeiro Sentido da Jornada Maçônica

Quando um homem afirma simbolicamente que estava nas trevas e agora busca a luz, ele está expressando o reconhecimento de que iniciou uma jornada consciente de aperfeiçoamento interior. Essa declaração reflete sua compreensão de que o crescimento humano depende de esforço contínuo e de uma disposição sincera de evoluir. Ao assumir essa postura, ele demonstra sua decisão de trabalhar em si mesmo, buscando desenvolver suas virtudes e fortalecer seu caráter por meio da reflexão e da prática consciente do bem.
Essa jornada não possui um ponto final definido, pois o aperfeiçoamento humano é um processo contínuo que se estende ao longo de toda a vida. O homem permanece em constante aprendizado, adquirindo novas percepções e aprofundando sua compreensão sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor. A luz que ele busca não é uma realidade externa ou distante, mas uma condição interior que se desenvolve à medida que ele se torna mais consciente de sua própria natureza e de sua responsabilidade moral.
Esse processo simboliza o esforço permanente de construção interior, no qual cada conquista representa um passo em direção a uma maior maturidade e integridade. A jornada maçônica, portanto, deve ser compreendida como uma metáfora do desenvolvimento humano, enfatizando a importância do autoconhecimento, da disciplina e da prática das virtudes como fundamentos essenciais de uma vida plena e significativa.
Conclusão: Dissipando o Mal-Entendido
A expressão que descreve a passagem das trevas para a luz deve ser compreendida dentro de seu verdadeiro contexto simbólico, como uma representação do despertar da consciência e do início de um compromisso consciente com o aperfeiçoamento moral. Ela não expressa abandono da fé religiosa, nem implica substituição de convicções espirituais, mas simboliza o reconhecimento de que o homem decidiu assumir responsabilidade por sua própria evolução interior. Trata-se de uma linguagem alegórica que reflete uma experiência universal, presente em diferentes tradições filosóficas e espirituais, e que descreve o processo pelo qual o indivíduo passa a viver de forma mais consciente e alinhada com seus valores.
A Maçonaria, ao utilizar esse simbolismo, convida o homem a refletir sobre sua própria vida e a trabalhar continuamente no desenvolvimento de seu caráter. Esse convite não interfere em sua fé, mas reforça sua responsabilidade como ser humano e como membro da sociedade. A verdadeira luz, nesse contexto, representa a consciência, o conhecimento e a maturidade moral que o indivíduo desenvolve ao longo de sua jornada, iluminando seu caminho e orientando suas ações de forma mais consciente, justa e virtuosa.
Para o cristão que ingressa na Maçonaria, não existe qualquer substituição da luz de Cristo, nem qualquer declaração de que sua fé anterior fosse trevas. Cristo continua sendo sua luz espiritual, sua referência e sua salvação. A luz que a Maçonaria simbolicamente convida o homem a buscar é a luz da consciência, do autoconhecimento e do aperfeiçoamento moral. Essa busca não entra em conflito com a fé cristã, mas pode fortalecer o compromisso do indivíduo com os valores que o próprio Evangelho ensina. O simbolismo maçônico não se refere à relação do homem com Deus, mas à sua responsabilidade diante de si mesmo e da humanidade.
Referências Bibliográficas e Fontes de Pesquisa
- ANDERSON, James. The Constitutions of the Free-Masons. London: William Hunter, 1723.
(Documento fundamental da Maçonaria especulativa moderna, estabelecendo seus princípios filosóficos e organizacionais.) - BAILEY, Alice A. The Spirit of Masonry. New York: Lucis Publishing Company, 1957.
(Exploração filosófica da Maçonaria como sistema de desenvolvimento espiritual e moral.) - BÍBLIA SAGRADA. Tradução Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.
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(Um dos historiadores contemporâneos mais respeitados no estudo da Maçonaria.) - MACKEY, Albert Gallatin. The Symbolism of Freemasonry. New York: Clark & Maynard, 1869.
(Obra clássica que explica o significado filosófico e simbólico dos ensinamentos maçônicos.) - MACKEY, Albert Gallatin. An Encyclopedia of Freemasonry and Its Kindred Sciences. New York: Masonic History Company, 1914.
(Referência enciclopédica fundamental sobre conceitos, símbolos e tradições maçônicas.) - PICO DELLA MIRANDOLA, Giovanni. Oration on the Dignity of Man. Indianapolis: Hackett Publishing, 1998.
(Texto filosófico renascentista essencial sobre o potencial de aperfeiçoamento humano.) - PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston: Supreme Council, 1871.
(Uma das obras mais profundas sobre filosofia moral e simbolismo maçônico.) - STEVENSON, David. The Origins of Freemasonry: Scotland’s Century, 1590–1710. Cambridge: Cambridge University Press, 1988.
(Estudo acadêmico moderno sobre as origens históricas da Maçonaria especulativa.) - WAITE, Arthur Edward. A New Encyclopedia of Freemasonry. New York: Weathervane Books, 1921.
(Referência importante sobre simbolismo, história e filosofia maçônica.) - WARD, J. S. M. Freemasonry and the Ancient Gods. London: Simpkin, Marshall, Hamilton, Kent & Co., 1921.
(Exploração das raízes simbólicas e filosóficas da tradição iniciática.) - WILMSHURST, Walter Leslie. The Meaning of Masonry. New York: Dover Publications, 2007.
(Obra essencial que interpreta a Maçonaria como um sistema de desenvolvimento interior.) - YATES, Frances A. The Rosicrucian Enlightenment. London: Routledge, 1972.
(Estudo acadêmico sobre o contexto esotérico e filosófico que influenciou a Maçonaria moderna.)
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