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O Tapete do Rito Schröder: Planta do Templo e Centro Vivo da Iniciação

O Tapete do Rito Schröder ocupa posição central na prática ritualística desse sistema maçônico e sintetiza, em linguagem simbólica, a proposta ética, humanista e iniciática resgatada por Friedrich Ulrich Ludwig Schröder. Ao tratar do Tapete, não se aborda um simples elemento decorativo ou um acessório litúrgico. Trata-se da própria planta do Templo, da representação gráfica da Obra em construção e do eixo em torno do qual se desenvolve toda a dinâmica ritual.

No Rito Schröder, a Loja não se organiza em função da arquitetura da sala. A disposição dos Oficiais, dos Obreiros e dos elementos ritualísticos deriva da posição e da orientação do Tapete. Ele determina o centro. Ele delimita o espaço de trabalho. Ele estabelece o eixo simbólico Oriente–Ocidente que estrutura a marcha solar e a progressão iniciática.

Desde a abertura até o encerramento, tudo ocorre em referência a esse quadrilongo oblongo que representa o Templo de Salomão em sua planta idealizada. Por isso, compreender o Tapete do Rito Schröder significa compreender a própria pedagogia do Rito.

Origem Histórica do Tapete nas Lojas Maçônicas

A tradição do Tapete remonta aos antigos costumes dos maçons operativos. Quando não possuíam espaços fixos e exclusivos para seus encontros, reuniam-se em adros de igrejas, hospedarias ou tabernas. Nessas circunstâncias, desenhavam no chão, com giz ou carvão, os símbolos pertinentes ao grau em que a Loja trabalharia.

Ao término dos trabalhos, os desenhos eram apagados. Antes da reunião seguinte, eram novamente traçados. O gesto ritual possuía dupla função: preservar o sigilo e reforçar o caráter efêmero e simbólico da representação.

Com o passar do tempo, tornou-se mais conveniente fixar esses desenhos em tecidos pintados. Assim surgiram os primeiros tapetes ritualísticos, que eram estendidos no início da sessão e recolhidos ao final.

Em muitos ritos, essa prática evoluiu para os Painéis dos Graus ou Tábuas de Delinear, fixados nas paredes. O Rito Schröder, entretanto, preservou o costume antigo. Essa preservação não se deu por apego folclórico, mas por coerência doutrinária. O Tapete, colocado no chão e circundado pelos Irmãos, mantém viva a ideia de oficina de trabalho. Ele representa a planta da construção e o campo onde se aplica a Geometria moral.

O Tapete como Planta do Templo de Salomão

Durante a iniciação, o Aprendiz recebe explicação clara sobre o significado do Tapete. Ele é denominado “Planta do Templo de Salomão”. A forma retangular simboliza o espaço sagrado da construção espiritual. Seus lados correspondem aos quatro pontos cardeais, evocando a universalidade da Ordem.

O contorno do Tapete apresenta tijolos claros e escuros, formando um muro protetor. Essa muralha representa a separação entre o mundo profano e o mundo do trabalho iniciático. O que ocorre dentro desse espaço deve permanecer protegido dos “cowan” e dos curiosos.

O formato Leste–Oeste recorda a orientação tradicional das construções operativas. A entrada situa-se no Ocidente. O Oriente simboliza a fonte da Luz. A marcha do Sol determina o ritmo da sessão.

No interior do Tapete, vê-se o firmamento que muda de tonalidade do Oriente para o Ocidente. O céu claro no Oriente indica o nascimento da Luz. O céu mais escuro no Ocidente evoca o término da jornada diária. Essa transição simboliza o percurso do conhecimento.

A Abertura e o Encerramento: Movimento Solar e Direção Ritual

Antes da abertura da Loja, o Tapete permanece enrolado. Por ordem do Venerável Mestre, os Diáconos o desenrolam no sentido Oriente–Ocidente. O gesto ritualiza o nascimento da Luz. Ao final dos trabalhos, ele é enrolado na mesma direção.

Esse movimento não constitui detalhe secundário. Ele traduz a compreensão de que o trabalho maçônico acompanha a marcha solar. A Luz nasce no Oriente e se difunde pelo Templo. Ao encerrar, a Luz recolhe-se simbolicamente.

No princípio da prática do Rito Schröder, o Tapete já se encontrava estendido quando os Irmãos ingressavam no Templo. Posteriormente, consolidou-se o costume de desenrolá-lo ritualmente.

Distribuição dos Irmãos em Relação ao Tapete

Aprendizes e Companheiros sentam-se próximos ao Tapete. A proximidade não se explica por conveniência espacial, mas por simbolismo. Eles devem observar atentamente a planta da Obra.

O Tapete representa a síntese do trabalho moral. Ele serve como suporte pedagógico associado aos Catecismos do Ritual. Cada símbolo ali presente deve ser meditado e aplicado.

O Rito Schröder enfatiza que a Loja é despojada de ornamentos supérfluos. Os símbolos concentram-se no Tapete. No Altar do Venerável encontram-se a Bíblia, o Esquadro e o Compasso. As três grandes velas posicionadas ao redor representam Sabedoria, Força e Beleza.

As Três Portas e as Jóias Móveis

O Tapete apresenta três portas fechadas: Oriente, Sul e Ocidente. Não há porta ao Norte. Essa ausência indica a região menos iluminada.

No Oriente, o Esquadro representa o Venerável Mestre. No Ocidente, o Nível representa o Primeiro Vigilante. No Sul, o Prumo representa o Segundo Vigilante.

Essas três ferramentas constituem as Jóias Móveis. Elas expressam Justiça, Igualdade e Retidão.

O Esquadro exige correção moral. O Nível recorda a igualdade essencial entre os homens. O Prumo indica julgamento reto e equilíbrio.

As Jóias Fixas e os Três Graus

O Tapete apresenta três símbolos que correspondem aos graus simbólicos:

  • Pedra Bruta — Aprendiz
  • Pedra Polida (ou Cúbica) — Companheiro
  • 47ª Proposição de Euclides — Mestre

A Pedra Bruta representa o estado natural do homem. Cabe ao Aprendiz desbastar suas imperfeições.

A Pedra Polida indica aperfeiçoamento moral e intelectual.

A representação da 47ª Proposição de Euclides, associada ao Teorema de Pitágoras, simboliza a Verdade universal e imutável. A Geometria surge como Quinta Ciência e fundamento da Ordem.

As Ferramentas do Trabalho Moral

O Tapete inclui instrumentos do ofício operativo:

Alvião ou Martelo Pontiagudo — simboliza a vontade ativa aliada ao discernimento.
Régua de 24 polegadas — representa a justa divisão do tempo.
Trolha — indica união e proteção da Obra.
Prumo, Nível e Esquadro — orientam a conduta ética.

Cada ferramenta possui dimensão prática e dimensão moral. O Rito Schröder insiste na aplicação concreta desses ensinamentos.

O Privilégio de Passar Sobre o Tapete

O Tapete não deve ser pisado, salvo em ocasiões específicas previstas no Ritual. O maior sinal de deferência concedido a um Irmão consiste em atravessá-lo na ocasião de sua iniciação.

O Iniciando passa como profano e retorna como Pedreiro Livre. O gesto simboliza transformação interior.

Também podem atravessá-lo o Primeiro Vigilante durante instruções específicas e o Grão-Mestre em visita oficial.

Dimensões e Forma

Na Alemanha, confeccionam-se tapetes em três tamanhos:

  • 90 x 120 cm
  • 120 x 180 cm
  • 150 x 225 cm

O Ritual determina apenas que sua forma seja retangular.

Dimensão Humanista do Tapete

O Tapete condensa a proposta ética do Rito Schröder. Ele apresenta símbolos simples e diretos, herdados da Maçonaria Operativa. A interpretação deve conduzir à prática moral. Como ensinou Albert Pike, o maçom possui o privilégio de interpretar os símbolos por si mesmo. Essa liberdade exige responsabilidade.

O estudo constitui primeira etapa, a reflexão aprofunda o entendimento, a aplicação no cotidiano confirma o aprendizado, o silêncio do trabalho interior recorda a tradição segundo a qual, na construção do Templo, não se ouviu ruído de ferramentas.

Conclusão: O Tapete como Verdadeira Loja

No Rito Schröder, o Tapete constitui a própria Loja em síntese. Ele é o rumo, a planta e o método. Ao seu redor se desenvolve a escalada iniciática.

Quem observa atentamente seus símbolos encontra um roteiro de aperfeiçoamento humano. A construção do Templo torna-se metáfora da construção do caráter.

Todo aprendizado no Rito Schröder se desenvolve ao redor do Tapete. Ele permanece no centro porque simboliza o centro do próprio homem.

Referências Bibliográficas

  • SCHRÖDER, Friedrich Ludwig. Rituais do Rito Schröder.
  • PIKE, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry.
  • MACKEY, Albert G. Encyclopedia of Freemasonry.
  • Ritual do Rito Schröder – Catecismo do Grau de Aprendiz.
  • Textos e comentários da MRGLMERGS (CMSB).

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