
A Ordem da Cavalaria, corpo complementar da Ordem DeMolay, representa a etapa em que o jovem iniciado deixa de ser apenas um membro em formação e passa a caminhar na direção da maturidade moral e do serviço ideal. Seus graus — históricos e filosóficos — formam um itinerário iniciático coerente, no qual cada etapa amplia a visão sobre virtudes, escolhas e responsabilidades.
Dentro da Ordem DeMolay, a Cavalaria não é um privilégio reservado a poucos, tampouco um prêmio honorífico concedido por destaque. Ela é um direito — e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade — conferida àqueles que alcançaram maturidade suficiente para trilhar um caminho mais elevado de serviço, estudo e disciplina moral. Por isso, o Regimento Nacional da Ordem da Cavalaria estabelece critérios claros para que a investidura seja realizada de modo regular, ordenado e fiel à tradição.
Caso queira saber mais sobre a Ordem DeMolay, deixo abaixo o link para que você possa se aprofundar sobre essa belíssima instituição:
Segundo o Art. 6º do RNOC, todo DeMolay regular, seja Ativo ou Sênior, que já tenha recebido o Grau DeMolay, pode ser investido no Grau de Nobre Cavaleiro desde que tenha completado seu décimo sexto aniversário, esteja regular junto ao Supremo Conselho e tenha sido aprovado nos exames de proficiência dos graus capitulares. No caso dos Seniores DeMolays, a investidura pode ocorrer mediante autorização do Grande Mestre Estadual ou Distrital. O pedido de investidura é formal — sempre assinado pelo próprio requerente e encaminhado ao Ilustre Comendador Cavaleiro do Priorado desejado — e nenhum outro pré-requisito pode ser exigido além dos previstos no artigo, reforçando que a Cavalaria permanece como uma etapa acessível e legítima a todo DeMolay que cumpra os critérios estabelecidos.

Após tornar-se Nobre Cavaleiro, inicia-se a jornada de ascensão no Nobre Rito da Cavalaria. E aqui entram os Artigos 58 e 59 do RNOC, que esclarecem que a progressão não depende apenas de idade, mas também da vivência cavaleiresca. Para avançar no NRC, o Cavaleiro deve permanecer regular e ativo, além de manter pelo menos 50% de presença comprovada nas convocações do Priorado durante o semestre que antecede sua investidura. Também é indispensável que tenha concluído a certificação correspondente no Programa de Ensino da Cavalaria, etapa que assegura o preparo intelectual e moral necessário para cada grau. No caso dos Seniores Cavaleiros, os requisitos são exatamente os mesmos — reforçando que ninguém avança na Cavalaria sem compromisso real com formação, disciplina e constância.
Já para os graus que compõem os Ciclos Histórico e Filosófico do NRC, o regulamento determina dois elementos essenciais: que o Cavaleiro esteja certificado no curso correspondente ao nível em que se encontra, e que respeite os interstícios ou a idade mínima civil para cada cerimônia. Esse intervalo entre um grau e outro, geralmente de seis meses, não é um obstáculo técnico, mas uma etapa de maturação simbólica: um período para refletir, servir, estudar e permitir que cada ensinamento se firme verdadeiramente antes de prosseguir.
Dentro dessa estrutura, os Priorados de Cavaleiros exercem papel central. Como unidades análogas aos Capítulos, mas voltadas a jovens de 16 a 20 anos investidos na Cavalaria, os Priorados são responsáveis por oferecer estudo aprofundado: desde história da Ordem DeMolay até aspectos ritualísticos, litúrgicos e administrativos. Seus oficiais — entre eles o Ilustre Comendador Cavaleiro, o Sir Comendador Escudeiro, o Sir Prior, o Sir Preceptor e demais cargos — formam a base organizacional que mantém viva a estrutura cavaleiresca e acompanha a formação dos membros. Não sendo uma premiação, mas uma Organização Afiliada dotada de autonomia, a Cavalaria exige compromisso e disciplina de seus integrantes.
Historicamente, os Priorados surgiram como espaços destinados aos DeMolays mais experientes. Os primeiros Cavaleiros eram jovens entre 18 e 21 anos, reconhecidos por sua liderança dentro de seus Capítulos. O primeiro Priorado nasceu no Capítulo-Mãe de Kansas City, Missouri, com carta datada de 1947 e a primeira investidura realizada em janeiro de 1948, presidida por Everett L. Davis no Ivanhoe Masonic Temple — episódio cujas esporas históricas permanecem preservadas no Frank S. Land Memorial. É dessa raiz histórica que nasce o modelo que hoje conhecemos e seguimos.
Assim, a Cavalaria mantém uma estrutura coerente, justa e profundamente pedagógica: ingresso aos 16, avanço por mérito e presença constante, certificações obrigatórias e respeito aos interstícios. Cada etapa foi pensada para que o jovem não apenas suba graus, mas amadureça, refine seu caráter e se torne digno do ideal que carrega. O Nobre Rito da Cavalaria foi estruturado e tornou-se um sistema autêntico dos Nobres Cavaleiros da Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques de Molay.
1. Estrutura Geral do Rito da Cavalaria
O sistema é composto por sete graus, conforme exigido para o Cavaleiro ingressar na Cadência:
- Cavaleiro da Capela
- Cavaleiro da Cruz de Salém
- Cavaleiro Ex-Templário
- Cavaleiro da Tríade
- Cavaleiro do Ébano
- Cavaleiro Anon
- Cavaleiro da Cadência
Cada grau possui um cenário dramático próprio, desenvolvido historicamente para transmitir uma lição moral através de ambientação, personagens e alegorias. Os rituais deixam claro que muitos dos fatos representados não pretendem reconstituir a história de forma documental, mas oferecer interpretações simbólicas de episódios associados à Ordem do Templo ou alegorias filosóficas.
2. Os Graus Históricos
Os Graus Históricos abordam episódios ligados à trajetória dos Templários e ao drama de Jacques de Molay. Eles formam o alicerce do entendimento da Cavalaria como um ideal fundado em luta, firmeza e integridade.

2.1 Cavaleiro da Capela
O combate interior diante da tentação e da ambição
Requisitos para ser investido no Grau
Para ingressar no Grau de Cavaleiro da Capela, o jovem precisa ter sido previamente investido como Nobre Cavaleiro e cumprir um período mínimo de seis meses desde essa investidura. Além disso, deve ter completado ao menos dezesseis anos de idade. É nesse momento que o membro inicia verdadeiramente a trilha cavaleiresca, abrindo a porta para uma fase de responsabilidade mais profunda dentro da Ordem.
Ensinamento central
A tentação do atalho.
O texto enfatiza que a tentação destrói a pureza das ações, e que o Cavaleiro deve ser exemplo e nunca utilizar meios escusos — inclusive em seu próprio Capítulo ou Priorado. O grau alerta para evitar acordos motivados por ambições pessoais e lembra que honra e moralidade não são negociáveis, mesmo quando o “atalho” parece vantajoso.

2.2 Cavaleiro da Cruz de Salém
O nascimento da missão templária
Requisitos para ser investido no Grau
O acesso à Cruz de Salém ocorre quando o Cavaleiro já percorreu seis meses desde sua Capela ou, alternativamente, ao alcançar a idade mínima de dezoito anos.
Ensinamento central
Serviço e proteção.
O foco do grau está na origem da missão templária como defensores dos fracos, guardiões das rotas e servidores da causa cristã. A simbologia do Templo destaca a noção de dever voluntário, não imposto.

2.3 Cavaleiro Ex-Templário
A perseguição contra a Ordem e o valor da fidelidade
Requisitos para ser investido no Grau
O Grau Ex-Templário exige que o jovem tenha completado seis meses desde a Cruz de Salém ou, igualmente, tenha atingido dezoito anos de idade.
Ensinamento central
A fidelidade sob perseguição.
O cenário, rico em elementos de luxo e poder, destaca que honra e integridade sobrevivem mesmo sob ameaça, enquanto decisões políticas podem trair aquilo que deveria ser sagrado.

3.1 Cavaleiro da Tríade
A renovação moral e o peso das escolhas
Requisitos para ser investido no Grau
Para aspirar à Tríade, o Cavaleiro precisa ter vivido seis meses após o Ex-Templário ou completado dezenove anos.
Ensinamento central
A vida humana é marcada por provas fundamentais: honra, justiça e fidelidade.
Este grau apresenta os pilares que moldam o caráter de quem deseja caminhar rumo à verdade.
3. Os Graus Filosóficos
Os Graus Filosóficos elevam a jornada do Cavaleiro ao plano da introspecção, da reflexão e da maturidade espiritual.

3.1 Cavaleiro do Ébano
A passagem simbólica para a maioridade moral
Requisitos para ser investido no Grau
O Ébano mantém os mesmos requisitos temporais da Tríade: seis meses desde o grau anterior ou a idade mínima de dezenove anos.
Ensinamento central
A maturidade é conquista interior.
O Grau do Ébano é profundamente introspectivo. Este grau representa a passagem para a idade adulta, não em termos numéricos, mas morais. É o momento em que o jovem deve abandonar ilusões, reconhecer limitações e assumir a responsabilidade por sua própria jornada, exigindo do candidato consciência do peso de suas decisões.

3.2 Cavaleiro Anon
A virtude da fidelidade personificada
Requisitos para ser investido no Grau
O grau de Anon é reservado aos Cavaleiros que completaram seis meses desde o Ébano ou que já alcançaram vinte anos de idade.
Ensinamento central
A fidelidade como elo entre Deus, o homem e o destino.
O grau enfatiza que toda existência cavalheiresca repousa sobre três eixos fundamentais da devoção para com Deus, serviço para com Pátria e amor para com a Família.

3.3 Cavaleiro da Cadência
O Grau da Cadência é a síntese e coroamento de toda a jornada. Nele o candidato já percorreu:
– as Virtudes Iniciáticas,
– a Fidelidade do Grau DeMolay,
– o conceito de Nobreza no Convento,
– os eventos templários nos Graus Históricos,
– as reflexões profundas nos Graus Filosóficos.
Requisitos para ser investido no Grau
O último passo da jornada exige igualmente seis meses desde o grau anterior ou a idade mínima de vinte anos. A Cadência representa a conclusão do ciclo cavaleiresco, reunindo em si todos os aprendizados anteriores e conduzindo o Cavaleiro à compreensão plena de sua missão dentro da Ordem.
Ensinamento central
Que a Nobreza é um sistema moral completo, que envolve uma série de qualidades, como por exemplo: acuidade, cortesia, constância, honra e grandiosidade.
O grau amarra todos os aprendizados e entrega ao jovem a plena consciência de sua posição como Cavaleiro maduro, responsável e servidor.
4. A Missão Geral da Cavalaria dentro da Ordem DeMolay
A missão geral da Cavalaria dentro da Ordem DeMolay revela-se como um caminho interior, silencioso e profundamente transformador. O verdadeiro Cavaleiro não enfrenta apenas inimigos externos — ele trava sua batalha mais decisiva dentro de si, combatendo tentações, ambições desmedidas e a sedução dos atalhos fáceis que desviam o caráter do rumo da virtude. Sua força não nasce da espada, mas da firmeza em proteger aquilo que é sagrado: a honra, a verdade, a justiça e os princípios que sustentam sua própria identidade espiritual.
A jornada cavaleiresca o compromete a servir com lealdade e coragem, mesmo quando o mundo ao redor parece se curvar à conveniência. A história moral dos Templários, evocada nos graus históricos, ensina que nem sempre a justiça se faz presente, e que muitas vezes o Cavaleiro se verá diante da perseguição, da calúnia ou da incompreensão. Ainda assim, o compromisso permanece: manter-se firme, íntegro e fiel, quando tudo convida ao contrário.
Cada etapa do Rito o lembra de que a vida humana é estruturada por escolhas fundamentais — e que nenhuma delas pode ser tomada de forma inconsciente. A maturidade moral não surge automaticamente com a idade, mas com a capacidade de encarar a própria sombra, reconhecer fragilidades e reconstruir-se com dignidade. Por isso, a Cavalaria ensina que assumir responsabilidade por si mesmo é o verdadeiro marco da passagem para a vida adulta.

A fidelidade, ensinada especialmente nos graus filosóficos, torna-se então o eixo que sustenta toda a jornada. É ela que une o Cavaleiro a Deus, à família, à pátria e ao seu próprio destino. Ser fiel é ser inteiro, coerente, consistente — mesmo quando ninguém está olhando. É essa fidelidade silenciosa que dá sentido à existência cavaleiresca e transforma o indivíduo em exemplo vivo das virtudes que proclama.
Ao final dessa caminhada, o Cavaleiro entende que sua missão não se encerra em si: ele deve encaminhar o legado da Ordem para a próxima geração, transmitindo princípios, despertando nobreza e mantendo viva a chama que recebeu. Ele é ponte, guardião e testemunha de um ideal que o ultrapassa.
E como lembram os próprios rituais da Cavalaria:
“Uma Demanda por sabedoria os trouxe até aqui… a Demanda continua.”
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