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O Nascimento de Jesus e a Maçonaria | O verdadeiro significado de 25 de dezembro

Nascimento de Jesus Cristo e o verdadeiro significado espiritual do Natal.

Natal Cristão e Maçonaria: desfazendo equívocos

Poucas datas concentram tamanha densidade simbólica, histórica, teológica e iniciática quanto a celebração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Ocidente cristão, a memória litúrgica da Encarnação ultrapassa a esfera de uma simples recordação afetiva de um nascimento remoto: ela proclama que a Eternidade irrompeu no tempo, que a história humana foi atravessada pela presença viva do Verbo e que toda a criação foi novamente convocada à sua origem divina.

Àqueles que, por desconhecimento, julgam que a Maçonaria rejeita o mistério do Cristo, convém desfazer tal equívoco. Em especial no que se refere ao Rito Escocês Retificado, essa verdade assume relevância singular. Dotado de essência explicitamente cristã, cavaleiresca e profundamente espiritual, o Retificado contempla na Natividade a manifestação luminosa do Mistério central de sua doutrina: a reparação do homem e a restauração de sua ordem interior à luz do Deus feito Homem.

O mito do “Natal pagão” e o Sol Invicto

Representação histórica do Sol Invictus e o debate sobre o Natal pagão.

Entretanto, em meio a esse conteúdo espiritual profundo, o Natal é frequentemente envolto por debates e mal-entendidos. Uma das controvérsias mais repetidas é a tese segundo a qual a escolha de 25 de dezembro seria resultado de mera apropriação cristã de festividades pagãs, sobretudo do Dies Natalis Solis Invicti, o festival romano associado ao “Nascimento do Sol Invencível”. Segundo esse argumento, a Igreja teria “cristianizado” uma festa solar para facilitar a expansão do Cristianismo. O tema ganha ainda maior relevância quando considerado à luz do simbolismo maçônico e, em particular, do universo simbólico retificado que reconhece no Cristo encarnado como a realidade verdadeira do Homem-Deus, em quem se reúnem, inseparavelmente, natureza divina e humana.

Por que 25 de dezembro? História, teologia e verdade

Por isso, compreender a diferença entre o Mito Solar e a Encarnação do Verbo, bem como as razões históricas, espirituais e simbólicas que fundamentam a celebração cristã do Natal, jamais será um exercício acadêmico isolado. Trata-se de tarefa espiritual, doutrinária e iniciática, especialmente relevante para os maçons retificados que desejam viver, conscientemente, o chamado de Cristo à imitação de Suas virtudes e à busca da restauração interior.

Entre Símbolos do Sol e a Verdade do Verbo

Desde as primeiras civilizações, o sol foi símbolo da vida, da ordem cósmica e da soberania divina. As culturas antigas observaram que, ao redor do solstício de inverno, o ciclo solar parecia “renascer”: os dias, antes curtos e escuros, voltavam lentamente a crescer, indicando vitória da luz sobre a noite. Não surpreende que diversas tradições religiosas tenham atribuído a esse momento do ano significados espirituais.

Linha do tempo mostrando como a Igreja calculou o 25 de dezembro como data do Natal.

Entretanto, reduzir o Natal cristão a uma “continuação” desse imaginário solar além de empobrecer a teologia, ignora evidências históricas sólidas. À luz da análise historiográfica de William J. Tighe, a celebração do nascimento de Cristo em 25 de dezembro deriva de uma lógica interna à própria teologia cristã primitiva. Muito antes das iniciativas imperiais relacionadas ao Sol Invicto, os cristãos já buscavam compreender, liturgicamente, a relação entre a Encarnação e a Paixão de Cristo, apoiados na crença antiga da “idade integral”, segundo a qual grandes profetas nasciam e morriam na mesma data. Assim, se a tradição fixava a morte de Cristo em 25 de março, entendia-se que nesse mesmo dia ocorrera a Anunciação – logo, nove meses depois, chegava-se naturalmente a 25 de dezembro.

Desse modo, a festa cristã não surge como “substituição” de um culto solar pagão e sim como consequência de uma fé que reconhece, na Encarnação, o início da obra reparadora de Deus. Ao contrário do paganismo solar, que celebra a força cíclica da natureza, o Natal proclama algo absolutamente novo: Deus entra na história, como Pessoa viva, unindo-se à humanidade para redimi-la desde dentro.

Esse entendimento é reforçado inclusive pelo contexto maçônico retificado. O Natal é contemplado como a teofania do Homem-Deus e obra-prima do amor divino — a espiritualidade do Retificado acolhe o Cristo como realidade ontológica decisiva. Jean-Baptiste Willermoz insiste que é na união indissolúvel das duas naturezas de Cristo que se funda a possibilidade da restauração do homem, assim, o Cristo do Retificado não é um arquétipo solar, mas não deixa de ser nosso Sol, Ele é o Verbo encarnado, cuja humanidade verdadeira revela ao iniciado o caminho da submissão à vontade divina, da humildade, da obediência e do amor que repara.

Cristo como Luz do Mundo, verdadeira luz do Natal.

Cristo não é mito solar, mas é a verdadeira Luz

A simbologia da luz é inevitável quando se fala de Natal. A Escritura apresenta Cristo como “Luz do mundo” (Jo 8,12), luz que “brilha nas trevas” e não pode ser vencida (Jo 1,5). Aqui, a semelhança com o simbolismo solar pode enganar os menos atentos. O cristianismo não rejeita a linguagem simbólica, mas a supera em um sentido radical, pois reconhece que o Criador da luz entra no mundo como luz verdadeira.

Por isso, ainda que o sol tenha sido utilizado como imagem pedagógica, a teologia cristã nunca confundiu Cristo com o astro celeste. Como lembra Bento XVI em sua obra “A Infância de Jesus”, a estrela do presépio é um sinal que aponta para o evento histórico concreto da Encarnação. São Leão Magno dirá: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade”, sublinhando que a verdadeira luz do Natal é a graça divina que eleva e restaura a natureza humana.

Nesse sentido, se há algum “mito solar” que ressoa no Natal, ele testemunha algo mais profundo: todas as tradições que intuíam a vitória da luz sobre a escuridão encontravam, ainda que de modo imperfeito, sua realização plena no acontecimento de Cristo. O que o Evangelho anuncia é o advento de uma nova criação, inaugurada pelo Filho que assume nossa carne. Deste modo, a renovação do ciclo natural fica em segundo plano.

O Rito Escocês Retificado e a Encarnação do Verbo

Rito Escocês Retificado e sua espiritualidade cristã ligada ao nascimento de Cristo.

No âmbito do Rito Escocês Retificado, essa compreensão constitui o coração de sua doutrina espiritual. O Retificado é um rito essencialmente cristão, profundamente enraizado na ideia de que a obra de Cristo é reparadora, restauradora e cavaleiresca. Sua pedagogia iniciática convida o maçom a confrontar-se com o chamado concreto do Evangelho, a partir do qual a vida iniciática encontra sua verdadeira finalidade.

Jean-Baptiste Willermoz vê na Encarnação a obra suprema da misericórdia divina. Deus não se limita a instruir o homem; Ele se faz homem. Não “desce” apenas para ensinar virtudes, mas para possibilitar, mediante sua união hipostática, que a humanidade seja reintegrada em sua proximidade original com o Criador. Por isso, a Natividade está intrinsecamente ligada à Paixão e à Ressurreição: já na manjedoura brilha o sentido da Cruz; já no presépio ressoa a promessa da vitória sobre a morte.

O Retificado, ao celebrar espiritualmente o Natal, contempla o Cristo como modelo do homem restaurado. Sua humildade ensina o caminho da submissão interior; sua obediência revela a verdadeira liberdade; sua mansidão indica a força que nasce do amor; sua encarnação inaugura a possibilidade de o homem redescobrir sua dignidade de filho.

O que o Natal significa espiritualmente para o maçom

Para o cristão e maçom retificado, o Natal nunca é apenas recordação. É memória viva que se transforma em vocação presente. Não basta contemplar o Menino de Belém como imagem devocional; é necessário permitir que sua luz confronte as sombras interiores, convide à conversão e inspire a renovação ética e espiritual. No Retificado, essa dimensão é essencial. A iniciação é caminho de conformação interior às virtudes do Cristo.

Assim, celebrar o Natal é renovar o compromisso com a restauração moral, com a justiça, com a fidelidade e com a caridade ativa. É assumir que a verdadeira luz do mundo não nos deixa neutros: convoca-nos a ser instrumentos dela no meio do século, testemunhas discretas e firmes do Deus que se fez próximo. A espiritualidade retificada não admite um cristianismo meramente externo; exige coerência, disciplina interior e amor verdadeiro.

Conclusão: entre o Sol e o Verbo Encarnado

Voltemos, por fim, à questão inicial: qual a relação entre o mito solar e o Natal cristão? Historicamente, a celebração cristã de 25 de dezembro nasce de uma tradição teológica coerente e anterior ao culto imperial tardio. Espiritualmente, ainda que utilize linguagem de luz e vitória, o cristianismo não se reduz a um mito cíclico, mas proclama a novidade absoluta do Deus que entra na história. Iniciaticamente, o Rito Maçônico Escocês Retificado vê nesse mistério a verdade fundante de sua própria doutrina: só há restauração do homem porque Deus Se fez homem.

Por isso, enquanto o mito solar celebra a resistência natural da luz, o Natal celebra a misericórdia sobrenatural de Deus. Enquanto o sol renasce por força do cosmos, Cristo nasce por amor gratuito. Enquanto os cultos solares evocavam ordem imperial e poder terreno, a manjedoura de Belém revela a humildade divina que confunde toda soberba humana.

Presépio representando o nascimento de Jesus Cristo e o verdadeiro significado do Natal.

Aos maçons do Rito Escocês Retificado, o Natal lembra que a verdadeira luz não se conquista, recebe-se; não se domina, acolhe-se; não se instrumentaliza, vive-se. Celebrar o Deus feito homem é reconhecer que a verdadeira grandeza está na obediência ao Pai, na fidelidade à verdade, no serviço humilde, na caridade concreta e na decisão perseverante de trabalhar pela restauração interior e pela ordem moral querida por Deus.

Que, contemplando o Natal, possamos redescobrir a alegria de saber que a Eternidade entrou no tempo; que a história humana foi visitada pela graça; que a luz verdadeira brilha e chama cada homem — especialmente aquele que livremente se compromete com a iniciação cristã retificada — a caminhar com firmeza na direção da plenitude que não termina.

Referências Bibliográficas

– Tighe, William J. “Calculating Christmas: The Story Behind December 25.” Touchstone Magazine.
– Willermoz, Jean-Baptiste. O Homem-Deus – Tratado das Duas Naturezas.
– Bento XVI (Joseph Ratzinger). A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012.
– Catecismo da Igreja Católica, §§456–483 (sobre a Encarnação).
– Brown, Raymond. The Birth of the Messiah. New York: Doubleday, 1993.
– Eliade, Mircea. O Sagrado e o Profano. Martins Fontes.
– São Leão Magno. Sermões sobre o Natal.

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