Uma Leitura Simbólica para a Tradição Maçônica e Paramaçônica

O Simbolismo da Menorah na Criação revela muito mais do que um simples objeto cultual. O Candelabro de Sete Braços, conhecido como Menorah, ocupa um lugar central na tradição espiritual do Ocidente e expressa, de forma profunda, o modo como a Luz divina se manifesta, organiza e estrutura o cosmos segundo a Tradição Iniciática e o Sepher Yezirah.
A Origem Celeste da Menorah e Sua Força Simbólica
Ao compreender o Simbolismo da Menorah na Criação, percebemos que sua estrutura não é acidental, mas um mapa da manifestação da Luz. Ele não está descrito em Êxodo 25:31–40, ele é, antes de tudo, uma materialização de uma visão espiritual profunda. O texto bíblico afirma que Moisés deveria construí-lo “segundo o modelo mostrado no monte”. Assim, fica claro que sua estrutura não nasceu da imaginação humana, mas de uma realidade superior contemplada no alto da montanha sagrada.
Essa compreensão é reforçada em Hebreus 8:5, onde se afirma que os utensílios do tabernáculo eram “sombras das realidades celestiais”. Portanto, a Menorah não simboliza apenas luz. Ela representa o processo da Luz, sua descida, organização e manifestação no cosmos. A tradição cabalística, especialmente pelo Sepher Yezirah, confirma essa função simbólica ao ensinar que a Criação se organiza pelas 32 Sendas da Sabedoria. Desse modo, a Menorah torna-se uma miniatura da própria obra criadora.

A Base Tripla da Menorah e a Primeira Emanação do Divino
A base tripla da Menorah revela o primeiro movimento da Criação. Ela corresponde às três letras-mães do Sepher Yezirah: Aleph, Mem e Shin. Cada uma representa um princípio primordial — Ar, Água e Fogo. Essas forças não se limitam a substâncias materiais. Elas expressam energias universais presentes em toda a estrutura do cosmos.
Aleph simboliza o Ar e expressa equilíbrio e movimento. Ele representa o sopro essencial que separa, une e harmoniza. Mem corresponde à Água e descreve o abismo primordial, o potencial puro, a matriz da vida em estado embrionário. Já Shin representa o Fogo, a energia criadora, o impulso que transforma o possível em real.
Essas três emanações antecedem o tempo, a forma e a própria luz. São o fundamento invisível da existência. Além disso, manifestam-se também no ser humano. Aleph se expressa como fôlego vital, Mem como o líquido protetor que sustenta a vida desde o ventre materno, e Shin como o fogo intelectual que ilumina o entendimento. Assim, a base da Menorah simboliza o início silencioso da Criação e o nascimento da consciência.

O Eixo Central da Menorah e a Unidade Absoluta
Acima da base tripla ergue-se a haste central da Menorah. Ela representa a Unidade absoluta, simbolizada na Cabala por Kether — o primeiro dos Sephirot. Kether é o ponto primordial onde o infinito decide se manifestar. A haste central, portanto, não é apenas um suporte físico: é a expressão simbólica da Consciência original.
Esse eixo reúne, orienta e sustenta a estrutura inteira. Ele também indica que toda multiplicidade depende de uma unidade interior. No contexto maçônico, representa o princípio que organiza o Templo interior. É o centro que não oscila e que permite ao iniciado manter-se firme em meio às transformações da vida.
A luz desce através desse eixo, estruturando todas as demais partes do candelabro. Da mesma forma, o crescimento espiritual ocorre quando o homem mantém sua consciência ligada ao centro que lhe dá sentido. Assim, a Menorah recorda que toda busca interior exige um ponto de referência. Ela revela que a verdadeira luz se consolida no silêncio, antes de brilhar no mundo.
Os Seis Braços e a Estrutura Harmônica da Criação
A partir do eixo central, a Luz se expande em seis direções. Cada braço da Menorah corresponde a uma dessas direções: norte, sul, leste, oeste, altura e profundidade. Além disso, representam os seis dias da Criação. Essa expansão demonstra que o cosmos nasce por meio de uma ordem precisa, estruturada e profundamente harmônica.
Os braços se curvam simetricamente, revelando que a manifestação divina não é aleatória. O universo é construído segundo proporções equilibradas. Assim, a Menorah mostra que o Setenário é uma assinatura da ordem divina. Cada braço é uma via por onde a Luz modela a realidade. E, desse modo, o iniciado aprende que sua vida também precisa refletir esse equilíbrio. Ele deve ordenar seus pensamentos, suas emoções e sua conduta, para que a luz interior se manifeste sem distorções.
Desse ponto de vista, os braços da Menorah transformam-se numa imagem pedagógica. Eles mostram que o movimento da Luz é expansivo, mas sempre controlado. Ensina-se, assim, que a evolução espiritual depende tanto da abertura quanto da disciplina.
As Doze Esferas Superiores e o Mistério do Tempo

As doze esferas colocadas no topo dos braços revelam o nível mais amplo da Criação. Elas correspondem às doze letras simples do alfabeto hebraico e, ao mesmo tempo, às doze constelações do zodíaco tradicional, aos doze meses do ano e às doze estruturas fundamentais do corpo humano.
O Sepher Yezirah ensina que essas letras foram “gravadas” no círculo do universo, determinando os movimentos das estações e os ritmos da vida. O tempo, nesse sentido, não é apenas uma sequência de dias. Ele se torna uma força viva, uma moldura simbólica que sustenta a experiência humana.
Ao integrar céu, tempo e corpo, a Menorah reforça o princípio da correspondência universal. O macrocosmo e o microcosmo refletem-se mutuamente. Desse modo, o iniciado aprende que sua vida está ligada aos ritmos do cosmos. O corpo humano, o ciclo das estações e o movimento das estrelas expressam uma mesma sabedoria. Assim, a Menorah se torna uma chave de leitura da existência: ela ensina que viver é acompanhar, compreender e respeitar o ritmo da Criação.
A Menorah Invertida e o Modelo Celeste da Criação
Quando a Menorah é contemplada invertida, com sua base voltada para o alto, revela-se o modelo celeste descrito pelo Sepher Yezirah. O livro afirma que “Ele é Um acima de três; três acima de sete; sete acima de doze; e todos estão ligados”. Essa frase, de aparência abstrata, ganha clareza ao se observar o candelabro como um fluxo descendente de Luz.
A Unidade superior se desdobra em três princípios. Esses três se expandem para formar sete forças. E essas sete forças se manifestam em doze estruturas do tempo e da vida. Assim, a Menorah invertida representa o processo pelo qual Deus cria o mundo.
Ao mesmo tempo, ela representa o caminho contrário, que o iniciado deve percorrer. Trata-se do movimento de retorno — subir da multiplicidade ao equilíbrio, do equilíbrio à síntese e da síntese à unidade. Esse caminho, simbolicamente, corresponde à reintegração da consciência ao princípio divino.
A Menorah e a Ordem da Cavalaria DeMolay: A Luz como Virtude Vivida
A Menorah também ocupa lugar de destaque na Ordem da Cavalaria DeMolay, onde assume uma função formadora. No ritual da Ordem Sagrada dos Nobres Cavaleiros Soldados Companheiros de Jacques DeMolay, o candelabro é colocado no altar como emblema moral. As luzes, acesas durante a cerimônia, representam valores fundamentais que o Cavaleiro deve viver no cotidiano.
A luz, assim, deixa de ser um símbolo abstrato. Ela se torna prática de vida. A Menorah ensina ao jovem Cavaleiro que iluminação não é conhecimento apenas, mas comportamento. É um modo de ser, um compromisso com o sagrado, com a honra e com o caráter. Dessa maneira, o símbolo une tradição, ética e espiritualidade.
A Menorah na Maçonaria e a Jornada da Luz
No Rito Escocês Antigo e Aceito, a Menorah aparece como arquétipo da jornada maçônica. Nos graus filosóficos, especialmente do 14º ao 33º, o iniciado percorre etapas que refletem a estrutura simbólica do candelabro. Assim como a Luz se expande da Unidade até a multiplicidade, o Maçom amplia sua consciência, reconstrói seu Templo interior e busca a Palavra Perdida.
A Menorah revela que o processo maçônico é uma caminhada luminosa. O iniciado aprende que a verdadeira iluminação exige disciplina interior. Ele também aprende que cada prova, cada símbolo e cada grau é uma chama acesa dentro da alma. A luz do candelabro, portanto, é a mesma luz que se acende no coração do homem que busca a Verdade.
A Luz que se Torna Caminho na Vida do Iniciado
A Menorah nos ensina que a luz não é estática. Ela é movimento, expansão e transformação. Ao contemplá-la, o iniciado percebe que sua jornada espiritual é, essencialmente, o retorno à Unidade. O candelabro revela que a reconstrução do Templo não é externa; é interior. E que a verdadeira iluminação não está no brilho visível, mas no esclarecimento da consciência.
Assim, a Menorah é um mapa, uma fonte e um espelho. Ela mostra como Deus cria o mundo. E mostra como o homem pode recriar a si mesmo. No fim, o símbolo recorda que quem caminha na Luz nunca está perdido, pois carrega dentro de si o próprio caminho.
Referências
- Bíblia Sagrada — Êxodo 25:31–40; Hebreus 8:5.
- Sepher Yezirah (Livro da Criação) — Traduções e comentários tradicionais da Cabala Judaica.
- Eliphas Levi — Dogma e Ritual da Alta Magia
- Gershom Scholem — As Origens da Cabala
- Henry Corbin — Corpo Espiritual e Terra Celeste.
- Revista Hermanubis nº 2/99 — Estudo sobre o simbolismo do Candelabro.
- Rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito — Graus 4 ao 33, coletâneas simbólicas.
- Rituais da Ordem da Cavalaria DeMolay — Priorados, investidura e instruções simbólicas.
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