Total de visitas ao site: 167154

Grau 26 REAA – Escocês Trinitário | Leitura da Bíblia (Gênesis 9:12–15)

▶️ Clique aqui e inscreva-se em nosso canal no YouTube


“E Deus disse: Este é o sinal do pacto que fiz entre mim e vós, e toda criatura vivente que está convosco, para as gerações perpétuas.

Eu ponho o meu arco na nuvem, e isto será por sinal do pacto entre mim e a terra.

E acontecerá, quando eu trouxer uma nuvem sobre a terra, que o arco será visto na nuvem.

E eu lembrarei o meu pacto, que está entre mim e vós e toda criatura vivente de toda a carne; e as águas não mais se tornarão um dilúvio para destruir toda a carne.”

Gênesis, 9:12–15


A leitura bíblica do Grau 26 e a revelação da Mercê Divina

A leitura bíblica que sustenta o Grau 26 do Rito Escocês Antigo e Aceito conduz o iniciado ao primeiro pacto verdadeiramente universal das Escrituras, firmado após o Dilúvio entre Deus e toda a humanidade. O arco-íris, erguido nas nuvens como sinal permanente, deixa de ser apenas um fenômeno natural e assume o papel de testemunho visível da graça divina, aquilo que o Rito identifica como Mercê. Diferentemente dos graus anteriores, voltados à purificação interior e à cura por meio do símbolo, o Grau 26 apresenta um gesto de reconciliação cósmica, no qual a vida é preservada e a relação entre o Criador e a criatura passa a repousar sobre a misericórdia.

A aliança com Noé não se dirige a um povo específico nem a uma tradição particular. Ela se estende a toda a carne, a tudo o que respira, tornando-se o pacto mais abrangente do texto bíblico. É justamente essa universalidade que transforma o arco-íris na chave interpretativa do Grau 26. Ele recorda que a justiça divina não se expressa como destruição contínua, mas como correção seguida de preservação, reafirmando que a história humana não termina na ruína, mas se renova na graça.

A Aliança com Noé e a pedagogia da Misericórdia

O pacto pós-diluviano inaugura uma nova pedagogia espiritual. A leitura bíblica revela um Deus que não abdica da justiça, mas que a envolve em misericórdia, estabelecendo um limite simbólico para a destruição. O Dilúvio reorganiza o mundo; o arco-íris garante que a punição não será o eixo permanente da relação divina com a humanidade.

No Grau 26, essa dinâmica ensina que toda autoridade legítima precisa refletir esse mesmo equilíbrio. A firmeza que corrige encontra sentido apenas quando acompanhada pela clemência que restaura. Assim como o arco se curva unindo céu e terra, a ação moral madura se constrói no ponto de encontro entre rigor e compaixão. É nesse contexto que o Grau associa a Mercê à tríade iniciática de Sabedoria, Força e Beleza, não como conceitos isolados, mas como forças que se equilibram mutuamente e orientam a conduta do iniciado.

O arco-íris como chave para compreender a Unidade por trás da diversidade

O arco-íris nasce de uma única luz que, ao atravessar as condições do mundo, se manifesta em múltiplas cores sem jamais perder sua origem. Esse fenômeno natural expressa com precisão o princípio iniciático central do Grau 26: a Verdade permanece una, ainda que se revele por linguagens diversas.

A partir dessa imagem, o Grau conduz o iniciado a uma compreensão mais ampla da realidade espiritual. O que no cristianismo se expressa pela Trindade, na Maçonaria ressurge como Sabedoria, Força e Beleza; na filosofia aparece como pensamento, ação e realização; nas tradições iniciáticas revela-se como unidade que se desdobra em polaridades e sínteses sucessivas. O arco-íris ensina silenciosamente aquilo que os dogmas não conseguem explicar: diferentes caminhos podem refletir a mesma luz, cada um segundo sua própria tonalidade.

A Tríplice Mercê e a formação da consciência espiritual

A ritualística do Grau 26 reconhece três grandes momentos da experiência espiritual humana, compreendidos como expressões da Mercê Divina ao longo da história. O pacto com Noé assegura a preservação da vida; a aliança com Abraão inaugura a promessa e a confiança no transcendente; as tradições associadas a Moisés e a Cristo apresentam a transformação interior, seja pela cura simbólica da serpente de bronze, seja pela redenção representada pela cruz.

Essas etapas não pertencem exclusivamente a uma religião. Elas refletem movimentos universais da consciência humana: sobreviver, confiar e transformar-se. O Grau 26 destaca que a Verdade se manifesta onde há busca sincera, independentemente da forma cultural ou religiosa que essa busca assuma. A diversidade de expressões não fragmenta o princípio; apenas o reflete sob ângulos diferentes.

A iniciação cristã primitiva como metáfora da experiência maçônica

Ao evocar o período das perseguições aos primeiros cristãos, o Grau não pretende ensinar doutrina, mas ilustrar uma experiência iniciática recorrente na história. Pequenos grupos reunidos discretamente, sinais de reconhecimento, linguagem simbólica e fraternidade silenciosa compõem um cenário que dialoga diretamente com a vivência maçônica.

O iniciado reconhece nessa imagem um espelho de sua própria trajetória. A jornada iniciática sempre se desenvolve em meio a tensões, exige vigilância interior e se fortalece na união fraterna. O arco-íris que selou a aliança com Noé reaparece, nesse contexto, como sinal de que a luz persiste mesmo quando o mundo atravessa períodos de sombra.

Triângulo, IHS e o coração flamejante como linguagem do Sagrado

O triângulo, presente em inúmeras tradições, expressa a harmonia essencial que sustenta o universo. O coração flamejante recorda que nenhuma iniciação se sustenta apenas no intelecto; ela exige um centro vivo, ardente, capaz de unir razão e sentimento. As letras IHS, carregadas de significados ao longo dos séculos, reforçam a ideia de que um símbolo verdadeiro nunca se esgota em uma única interpretação.

No Grau 26, esses sinais ensinam que a pluralidade simbólica não ameaça a Verdade, mas a honra. Reconhecer que a Luz excede qualquer linguagem é um gesto de maturidade espiritual e de profundo respeito pelo mistério.

A moral do Grau 26 à luz da leitura bíblica

A leitura do pacto com Noé conduz o iniciado a uma postura ética marcada pela busca sincera da Verdade e pela tolerância religiosa como dever moral. O Grau recorda que grande parte das crenças humanas nasce da herança cultural, familiar e histórica, e que reconhecer isso não enfraquece a fé, mas a torna mais lúcida e fraterna.

O arco-íris permanece como imagem pedagógica dessa lição. As cores são distintas, mas a luz é uma só. A diversidade não rompe a unidade; revela-a.

Conclusão: o arco nas nuvens como pacto iniciático do Príncipe da Mercê

O Grau 26 ensina que a Mercê Divina não é exceção, mas fundamento da ordem espiritual. Após a tempestade que reorganiza, surge o arco que reconcilia. O iniciado compreende que a maturidade espiritual consiste em reconhecer o sagrado em toda busca honesta, em compreender a tolerância como expressão de sabedoria e em aceitar que a Verdade se revela em múltiplos matizes sem jamais perder sua essência.

Sob o arco-íris da Aliança, o Príncipe da Mercê torna-se herdeiro de um pacto universal, chamado a preservar a diversidade, a promover a paz e a caminhar com a certeza de que a luz só é plena porque contém todas as cores.

📖 Gostou deste estudo sobre o Grau 26 do REAA?

Acompanhe nossa série sobre as leituras bíblicas dos Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito e aprofunde-se no simbolismo que une Escritura, Tradição e Iniciação.

▶️ Clique aqui e inscreva-se em nosso canal no YouTube

💬 Deixe seu comentário: o que mais chamou sua atenção na Aliança do arco-íris e seu simbolismo no Grau 26?

Visualizações: 17

WhatsApp
Telegram
Facebook
X

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas postagens