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Leitura da Bíblia no Grau 18 – REAA – Cavaleiro Rosa-Cruz ( Marcos, 14:12-17)

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“E, no primeiro dia dos pães ázimo, quando eles sacrificavam a Páscoa, disseram-lhe os seus discípulos: Aonde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?

E ele enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e ali encontrareis um homem levando um cântaro de água; segui-o.

E, onde quer que entrar, dizei ao bom homem da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?

E ele vos mostrará um grande quarto superior mobiliado e pronto; ali fazei-nos os preparativos.

E, os seus discípulos foram e entraram na cidade, e acharam como ele lhes tinha dito; e eles prepararam a Páscoa.

E, ao anoitecer, ele chegou com os doze.”

(Marcos, 14:12-17)


A leitura bíblica do Grau 18 e o contexto da Última Ceia

A leitura bíblica do Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito, extraída do Evangelho de Marcos 14:12–17, conduz o maçom a um dos momentos mais elevados da trajetória iniciática do REAA. Conhecido como o grau de Cavaleiro Rosa-Cruz, o Grau 18 desloca o foco da reconstrução material, predominante nos graus anteriores, para a transformação moral e espiritual do homem, fundamentada na caridade, na partilha e no amor ao próximo.

A passagem bíblica situa-se no contexto da preparação da Última Ceia, momento que antecede o sacrifício de Jesus e simboliza a transição entre uma antiga lei e uma nova forma de relação entre o homem, Deus e a humanidade. Não se trata apenas de um evento histórico, mas de um ensinamento profundamente simbólico, que encontra perfeita ressonância nos princípios filosóficos do Grau 18.

A Páscoa como símbolo de passagem e renovação espiritual

O texto inicia-se no “primeiro dia dos pães ázimos”, quando se sacrificava a Páscoa. Essa referência temporal é carregada de significado dentro da interpretação maçônica do Grau 18 do REAA. A Páscoa simboliza libertação, passagem e renovação. Assim como o povo hebreu relembra sua saída do cativeiro egípcio, o Cavaleiro Rosa-Cruz é convidado a refletir sobre sua própria libertação interior.

Nesse grau, o homem já não é levado a conceber um Deus distante, oculto e punitivo, mas a reconhecer um Deus afável, misericordioso e próximo da experiência humana. A passagem bíblica reforça a ideia de que a verdadeira libertação não é apenas externa, mas ocorre quando o indivíduo se abre à renovação moral e espiritual.

O homem do cântaro de água e a preparação interior

Na narrativa de Marcos, Jesus não indica diretamente o local da ceia. Ele envia dois discípulos à cidade, orientando-os a seguir um homem que carrega um cântaro de água. Esse detalhe aparentemente simples adquire grande importância na leitura simbólica do Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

A água é símbolo universal de purificação, renovação e vida. Seguir o homem do cântaro representa o caminho da preparação interior, sem o qual não é possível alcançar a verdadeira comunhão. No Grau 18, o maçom aprende que a elevação espiritual exige purificação de intenções, abandono do egoísmo e disposição sincera para servir ao próximo.

O aposento superior e a elevação da consciência

Os discípulos encontram um aposento superior, amplo, mobiliado e pronto. Esse “quarto superior” possui profundo significado simbólico dentro da leitura bíblica do Grau 18. Ele representa o plano mais elevado da consciência humana, onde o homem se afasta das paixões inferiores e se torna apto a compreender ensinamentos mais profundos.

No contexto do Cavaleiro Rosa-Cruz, a verdadeira iniciação ocorre nesse espaço interior elevado, onde razão, sentimento e ação se harmonizam. É nesse nível que o homem pode compreender a Lei do Amor como fundamento da convivência humana e da evolução moral.

O sacrifício como expressão da Lei do Amor

A preparação da Páscoa antecede o sacrifício de Jesus, que no Grau 18 do REAA não é interpretado de forma literal ou dogmática, mas simbólica e universal. O foco não está no sofrimento físico, mas na entrega consciente em nome do amor à humanidade.

A leitura bíblica ensina que Deus não se manifesta para punir ou esmagar, mas para educar, transformar e elevar. A dor, a necessidade e o sofrimento, quando surgem, são compreendidos como instrumentos de aperfeiçoamento moral, capazes de desenvolver virtudes essenciais ao crescimento espiritual.

Os símbolos do Grau 18: pelicano, rosa-cruz e estrela flamejante

É nesse contexto que os principais símbolos do Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito assumem pleno significado. A cruz, antes símbolo de suplício, torna-se o ponto de onde nasce a rosa, representando a regeneração moral e espiritual. O pelicano simboliza a caridade em sua forma mais pura, aquela que se doa sem esperar retorno, oferecendo até aquilo que faz falta.

A estrela flamejante representa a Verdade que ilumina todos os homens, acima de credos, dogmas ou divisões. Ela reafirma o caráter filosófico, ecumênico e universal do Grau de Cavaleiro Rosa-Cruz, no qual a busca pela verdade não se limita a sistemas fechados de pensamento.

Caridade: o eixo moral do Grau 18

A leitura bíblica de Marcos 14:12–17, adotada no Grau 18 do REAA, reforça que a caridade não deve ser compreendida apenas como filantropia material. No ensinamento maçônico, caridade é atitude, presença, escuta, acolhimento e partilha.

Fé, Esperança e Caridade substituem os antigos pilares do Templo, sendo a caridade o fundamento maior. Sem o amor ao próximo, nenhuma virtude se sustenta, nenhuma fé permanece viva e nenhuma esperança se concretiza. Em uma sociedade marcada pelo individualismo, a mensagem do Cavaleiro Rosa-Cruz mantém-se atual, necessária e profundamente desafiadora.

Conclusão: a Palavra reencontrada na vivência do Amor

Assim, a interpretação maçônica da leitura bíblica do Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito conduz o iniciado à compreensão de que a verdadeira Palavra reencontrada não se limita a símbolos, fórmulas ou conceitos abstratos. Ela se manifesta na vivência prática da Lei do Amor, na fraternidade universal e no reconhecimento de que todos os homens compartilham a mesma origem divina.

É por esse caminho que o Cavaleiro Rosa-Cruz se aproxima do ideal de paz, união e verdade que fundamenta o Rito Escocês Antigo e Aceito.

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