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“E eu vi na destra do que estava assentado no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
E eu vi um forte anjo proclamando em alta voz: Quem é digno de abrir o livro e romper os seus selos?
E nenhum homem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, era capaz de abrir o livro, nem de olhar para ele.
E eu chorei muito, porque nenhum homem foi achado digno de abrir e ler o livro, nem de olhar para ele.
E um dos anciãos me disse: Não choreis; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, prevaleceu para abrir o livro e romper os seus sete selos.”
(Apocalipse 5:1–5)
Grau 17 do Rito Escocês Antigo e Aceito
O Grau 17 do Rito Escocês Antigo e Aceito, intitulado Cavaleiro do Oriente e do Ocidente, representa um marco divisório fundamental na jornada do maçom. Até o grau anterior (Príncipe de Jerusalém), a narrativa girava em torno da construção material, fosse do Primeiro ou do Segundo Templo. O foco era a pedra, a argamassa e a espada para defender os muros.
A partir do Grau 17, entramos no que os estudiosos, como McClenachan, classificam como o início da “Maçonaria Moderna” ou puramente Filosófica. O obreiro deixa de ser apenas um construtor de edifícios para se tornar um Cavaleiro do Espírito. A alegoria abandona as pedras físicas e volta-se para a construção do “Terceiro Templo”: o santuário interior do coração e da consciência.
A leitura bíblica de Apocalipse 5:1–5 define o tom apocalíptico e esotérico deste grau. O “Livro dos Sete Selos” representa os mistérios supremos da Verdade, que permanecem ocultos (selados) para aqueles que não possuem as virtudes necessárias para compreendê-los. A busca pela Palavra Perdida recomeça, não mais nas ruínas de Jerusalém, mas nos mistérios da nova lei.
Uma Correção Histórica: De Nápoles a Patmos
Um ponto de grande interesse para os estudiosos do Rito Escocês no Brasil é uma correção histórica presente nas revisões mais recentes dos rituais. Durante muito tempo, os rituais brasileiros traduziram erroneamente a origem dos cavaleiros deste grau como “Partenianos” (de Parténope, antiga região de Nápoles, Itália). Contudo, não há ligação histórica lógica entre Nápoles e a lenda deste grau.
A pesquisa aprofundada, comparando com os rituais da Jurisdição Norte dos EUA (McClenachan), revela que o termo correto é “Patmiano”, referindo-se à Ilha de Patmos. Essa correção faz todo o sentido simbólico, pois foi na ilha de Patmos que João (o Evangelista) foi exilado e escreveu o Apocalipse, o livro-base deste grau. O Cavaleiro do Oriente e do Ocidente é, portanto, um “peregrino de Patmos”, alguém que busca a revelação em meio ao exílio do mundo material.
Os Sete Selos e as Virtudes do Cavaleiro
Se o livro está selado, o que é necessário para abri-lo? O grau ensina que a chave reside nas virtudes. Os sete selos correspondem simbolicamente a sete colunas ou deveres: Beleza, Dignidade, Sabedoria, Poder, Honra, Glória e Força.
Para o maçom contemporâneo, a moral do grau reside na prática destas virtudes no cotidiano, destacando-se:
- União: Compreender que somos engrenagens de um todo maior.
- Discrição e Silêncio: A capacidade de manter o sigilo e não julgar precipitadamente (não dar motivos para censura).
- Lealdade: A fidelidade à palavra empenhada.
O Cavaleiro do Oriente e do Ocidente nos ensina que a Verdade (o livro aberto) não é um direito, mas uma conquista. Ela só se revela àqueles que, através da reforma íntima e da prática das virtudes, tornam-se “dignos de romper os selos”.
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Acompanhe a sequência da nossa série sobre a base bíblica dos Graus Filosóficos e aprofunde-se no simbolismo que une Escritura, Tradição e Iniciação:
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