
Os cargos em uma Loja Maçônica, especialmente no REAA, revelam muito mais do que uma simples divisão administrativa, revela muito mais do que um simples organograma. Cada cargo corresponde a uma função prática, a um dever moral e a um papel simbólico dentro do Templo. Ao observar o quadro de oficiais, não estamos diante apenas de uma divisão de tarefas, e sim de uma verdadeira arquitetura espiritual, em que cada irmão assume o compromisso de representar uma virtude em benefício da Oficina.
No início da caminhada, o iniciado costuma enxergar esse conjunto como algo distante. Os colares parecem apenas insígnias e os títulos soam como distinções protocolares. Com o tempo, porém, a percepção muda. O Maçom descobre que, por trás de cada joia, existe uma responsabilidade concreta, e que o bom funcionamento da Loja depende da dedicação silenciosa de muitos irmãos. A sessão que transcorre de forma serena e ordenada é fruto de uma engrenagem complexa que precisa de todos os seus elementos em harmonia.
Esse é o ponto de partida deste artigo. A proposta é apresentar os cargos em Loja Maçônica no REAA, descrever as atribuições de cada um, comentar o simbolismo que os envolve e mostrar por que eles são tão importantes para a ordem, a disciplina e a espiritualidade dos trabalhos. Ao compreender esse conjunto, o leitor passa a perceber que uma Loja viva não se apoia apenas no Venerável Mestre, mas em um corpo de oficiais que compartilham a mesma tarefa: servir ao ideal maçônico.
Cargos em uma Loja Maçônica: estrutura e lógica funcional

Para que uma sessão seja válida, regular e efetiva, determinados cargos precisam estar preenchidos. Há funções diretamente ligadas à abertura e ao encerramento dos trabalhos, à guarda do Templo, à condução do rito, à preservação da Lei e à memória escrita da Oficina. Outras funções, por sua vez, enriquecem o ambiente, fortalecem a beneficência, a cultura, a música, a convivência fraterna e a estética do Templo.
No núcleo da direção da Loja encontram-se o Venerável Mestre, o Primeiro Vigilante, o Segundo Vigilante, o Orador, o Secretário, o Tesoureiro, o Mestre de Cerimônias e o Cobridor. Em torno deles surgem outros cargos que completam a vida da Loja: Hospitaleiro, Bibliotecário, Mestre da Harmonia, Mestre de Banquetes, Porta-Bandeira, Porta-Espadas, Porta-Estandarte, Arquiteto, Diáconos, Expertos e Guarda do Templo. Cada um guarda um aspecto do trabalho coletivo e, quando bem desempenhados, esses ofícios transformam o Templo em um espaço vivo, no qual forma e conteúdo caminham juntos.
Importa lembrar que a Maçonaria não funciona como uma carreira profissional. O irmão que assume um cargo não “sobe de nível” no sentido profano da expressão. Ele aceita um encargo, e com ele uma parcela maior de responsabilidade. O colar não é prêmio; é compromisso. Ao entender isso, o Maçom evita a armadilha da vaidade e passa a enxergar o ofício como serviço e oportunidade de aperfeiçoamento.
Venerável Mestre: o Esquadro que governa com retidão

O Oriente da Loja é o lugar do Venerável Mestre. Ele preside os trabalhos, coordena a administração, responde perante a Potência e se torna referência para todos os irmãos. A jóia que o identifica é o Esquadro, um dos símbolos mais conhecidos da Maçonaria. Esse instrumento de trabalho lembra a necessidade de julgar com retidão, agir com honestidade e manter a palavra em linha com a verdade.
Durante as sessões, o Venerável declara a abertura e o encerramento dos trabalhos, conduz as cerimônias, dá a palavra, permite debates e intervém quando a ordem precisa ser restabelecida. Entre uma reunião e outra, acompanha comissões, trata de assuntos com a Potência, cuida de processos administrativos, recebe visitantes e representa a Loja em eventos oficiais. Sua atuação atinge tanto o plano ritual quanto o plano profano.
A figura do Venerável influencia diretamente o clima da Oficina. Um dirigente que age com serenidade e firmeza inspira confiança. Um dirigente impulsivo ou autoritário gera insegurança e resistência. Por isso, a escolha desse cargo é feita com tanto cuidado. Idealmente, o Irmão chamado ao Oriente já percorreu um caminho de estudo, prática ritual, participação ativa e demonstração de equilíbrio. Em síntese, não basta conhecer o ritual; é preciso ter capacidade de lidar com pessoas, de ouvir opiniões, de mediar conflitos e de tomar decisões difíceis sem ferir a fraternidade.
Quando o Venerável usa o Esquadro como verdadeiro guia de conduta, a Loja se fortalece. Os irmãos sentem que suas dúvidas podem ser ouvidas, que as decisões são tomadas de forma ponderada e que o Oriente está comprometido com o bem comum. Nesse cenário, a autoridade não se impõe pela força, mas se afirma pela confiança.
Primeiro Vigilante: a força que sustenta a igualdade

Na coluna do Norte encontra-se o Primeiro Vigilante, principal auxiliar do Venerável Mestre. Sua joia é o Nível, símbolo da igualdade essencial entre os Irmãos. Ainda que existam diferenças de idade, profissão ou experiência, todos se reconhecem como pedras em lapidação diante do mesmo ideal. O Nível recorda que nenhum Maçom é superior por causa de sua posição social ou de sua condição econômica.
Entre as funções do Primeiro Vigilante está a direção da coluna dos Aprendizes. Ele observa a assiduidade desses irmãos, acompanha a participação em estudos, incentiva a apresentação de trabalhos e verifica sinais de progresso moral. Quando percebe que um Aprendiz amadureceu o suficiente, apresenta ao Venerável a proposta de aumento de salário. Esse acompanhamento contínuo exige atenção e paciência.
Durante os trabalhos, o Primeiro Vigilante transmite à sua coluna as determinações do Oriente. Intervém quando a disciplina precisa ser reforçada, pede a palavra para os Aprendizes, participa das votações e colabora na condução de cerimônias. Em caso de impedimento do Venerável, assume a presidência da Loja. Essa possibilidade mostra o peso da função, pois o Primeiro Vigilante precisa estar sempre preparado para assumir responsabilidades maiores.
O irmão que ocupa esse cargo convive com duas exigências simultâneas. De um lado, mantém contato direto com a direção da Loja. De outro, lida com Irmãos em início de caminhada, que ainda se adaptam ao ritmo dos trabalhos. Por isso, disciplina e compreensão precisam caminhar juntas. Um Primeiro Vigilante rígido demais sufoca a coluna; um oficial permissivo demais fragiliza a ordem. O equilíbrio é o segredo.
Segundo Vigilante: beleza e disciplina na coluna do Sul

A coluna do Sul é o espaço dos Companheiros, conduzidos pelo Segundo Vigilante. A joia que o identifica é o Prumo, instrumento que verifica a verticalidade e remete à busca pela retidão interior. Assim como o pedreiro precisa de um prumo para erguer paredes firmes, o Maçom necessita de referência vertical para garantir que sua conduta esteja alinhada com os princípios que professa.
O Segundo Vigilante acompanha a trajetória dos Companheiros, observa seu empenho no estudo simbólico, sua participação em trabalhos, sua postura dentro e fora da Loja. Essa coluna reúne irmãos que já deram os primeiros passos e se encontram em fase de aprofundamento. O oficial precisa reconhecer essa fase e oferecer orientação adequada, preparando-os para o Mestrado.
Durante a sessão, o Segundo Vigilante mantém a disciplina na coluna do Sul, pede a palavra para os Companheiros, acompanha movimentações e coopera com o Mestre de Cerimônias quando há necessidade de reorganizar o Templo. Em algumas ocasiões, substitui o Primeiro Vigilante e assume responsabilidades mais amplas.
A discrição é uma qualidade essencial nesse cargo. O Segundo Vigilante lida com expectativas elevadas, pois muitos Companheiros aguardam ansiosamente a elevação ao grau de Mestre. Saber ouvir, orientar e, quando necessário, dizer que ainda não é o momento exige tato e fraternidade. Quando essas atitudes se manifestam de forma equilibrada, a coluna do Sul se transforma em um espaço de crescimento real, e não apenas de espera.
Orador: a voz da Lei e da verdade

O Orador ocupa um lugar singular na Loja. Ele não faz parte do poder executivo, mas exerce influência decisiva sobre o rumo das decisões. Sua joia é um livro aberto, que representa o acesso permanente ao corpo de leis, regulamentos e usos da Obediência. A esse oficial cabe interpretar a norma e indicar os caminhos corretos quando surgem dúvidas ou conflitos.
Ao longo da sessão, o Orador acompanha os debates, verifica se os procedimentos obedecem ao que está estabelecido e se prepara para emitir parecer quando necessário. Em muitos momentos, sua palavra sintetiza o que foi discutido e aponta a solução mais justa. Nos casos em que há processos disciplinares, é ele quem instrui a causa, recolhe depoimentos, analisa documentos e manifesta entendimento jurídico.
O símbolo do Sol, presente ao seu lado em muitos rituais, recorda que a justiça precisa ser luminosa. Decisões tomadas às pressas, sem consulta adequada ou com base em impressões pessoais tendem a gerar injustiças. O Orador contribui para que a Loja funcione de acordo com o Direito Maçônico e evita que questões importantes se resolvam apenas na base da emoção.
Para cumprir essa missão, o irmão que assume o cargo precisa cultivar estudo contínuo, capacidade de síntese, coragem para se manifestar e humildade para reconhecer quando precisa de apoio. Ao agir com equilíbrio, protege a Loja de arbitrariedades e garante que a Lei seja aplicada de forma fraterna.
Secretário: o guardião da memória escrita

O Secretário é o escrivão da Loja, responsável por registrar a vida da Oficina. Sua joia, geralmente representada por penas cruzadas, remete à escrita e à responsabilidade de transformar fatos em documentos. Cada sessão gera uma ata, cada decisão gera um registro, cada comunicado gera uma correspondência. O conjunto desses papéis forma a memória da Loja.
Durante os trabalhos, o Secretário anota presenças, votos, resultados de escrutínios, comunicações recebidas e expedidas. Ao término da reunião, organiza esses dados, prepara os arquivos, atualiza cadastros e encaminha relatórios à Potência. Em períodos eleitorais, confere listas de irmãos aptos a votar, cuida das convocações e ajuda a garantir que todos os trâmites sejam respeitados.
Fora das sessões, responde e-mails, elabora ofícios, arquiva documentos históricos, mantém contato com outras Lojas e acompanha prazos administrativos. A organização desse material evita perda de informações importantes e facilita a consulta futura.
O Secretário costuma ser associado simbolicamente à Lua, pela capacidade de refletir aquilo que acontece dentro do Templo. Se ele registra com precisão, as próximas gerações conhecerão a história da Loja. Se registra de forma descuidada, a narrativa fica distorcida e lacunas surgem. Por isso, atenção aos detalhes, disciplina e regularidade são qualidades indispensáveis.
Tesoureiro: a consciência financeira da Loja

A administração dos recursos materiais está sob responsabilidade do Tesoureiro. As duas chaves cruzadas de sua joia simbolizam a guarda dos metálicos e a confiança que a Loja deposita nesse oficial. Ele recebe contribuições, controla pagamentos, verifica valores devidos à Potência, registra despesas e apresenta relatórios periódicos.
Para exercer a função de forma adequada, o Tesoureiro precisa manter registros claros, atualizados e acessíveis. Balancetes apresentados em tempo oportuno permitem que os irmãos acompanhem a situação financeira da Oficina e opinem sobre prioridades. Quando essa transparência existe, a confiança se fortalece e a Loja consegue planejar reformas, eventos, obras assistenciais e investimentos com segurança.
No plano simbólico, o cargo recorda que os recursos materiais são instrumentos, e não finalidade. O dinheiro sustenta o Templo, possibilita a beneficência e viabiliza projetos; entretanto, não deve comandar as decisões da Loja. O Tesoureiro, mais do que um mero contador, é chamado a lembrar esse princípio sempre que surgirem escolhas delicadas.
Chanceler: presença, participação e autenticidade

O Chanceler trabalha com registros de presença e com autenticidade documental. Sua joia, um selo ou timbre, evidencia a função de conferir legitimidade ao que é registrado. Ele mantém o livro de presenças organizado, verifica a frequência dos irmãos, registra visitantes e informa, sempre que necessário, quais obreiros estão em dia com suas obrigações.
Esses dados se tornam fundamentais para eleições, para composição de quóruns e para eventuais processos disciplinares. O Chanceler pode, ainda, preparar certificados de presença, anunciar aniversários e acompanhar justificativas de faltas. Dessa forma, ajuda a Loja a manter uma visão nítida de quem realmente participa dos trabalhos.
Quando esse cargo é executado com zelo, os números revelam uma verdade importante: não basta constar no quadro, é preciso estar presente. A Maçonaria vive de participação efetiva, e o controle responsável de presenças auxilia a despertar essa consciência.
Hospitaleiro: a caridade que ganha forma

O Hospitaleiro é o encarregado da beneficência. Sua joia, a pequena bolsa do peregrino, remete à figura daquele que caminha e, em muitos momentos, precisa de amparo. Dentro da Loja, esse oficial faz circular o Tronco de Beneficência, recolhendo os óbolos dos irmãos com discrição e respeito. Ao longo do tempo, vai formando um fundo destinado a socorrer os necessitados.
A atuação do Hospitaleiro, porém, vai além da coleta. Ele visita irmãos enfermos, mantém contato com famílias em situação delicada, identifica necessidades silenciosas, propõe ajudas à Loja, organiza campanhas e, em diversas Oficinas, preside a Comissão de Beneficência. Seu olhar precisa ser atento e compassivo.
Em um ambiente onde estudos simbólicos e discussões filosóficas são constantes, a figura do Hospitaleiro lembra que a fraternidade precisa se traduzir em gestos concretos. Graças a esse cargo, a Loja pode atuar como rede de apoio em momentos de dor, doença, desemprego ou luto.
Mestre de Cerimônias: harmonia, ritmo e precisão

O Mestre de Cerimônias é o responsável pela organização do cerimonial. Sua joia, geralmente uma régua ou um triângulo, indica precisão, medida e ordem. Antes da sessão, ele verifica se o Templo está devidamente preparado, confere se cada cargo possui sua joia, distribui aventais, ajusta detalhes do ambiente e identifica possíveis ausências que precisem de substituição.
Durante os trabalhos, conduz autoridades e Mestres Instalados, orienta a entrada de visitantes, auxilia no momento de abertura e fechamento do Livro da Lei, declara a composição da Loja no grau em que se encontra e acompanha a circulação dos irmãos. Nas votações secretas, participa do controle dos escrutínios, garantindo silêncio, respeito e regularidade.
Um bom Mestre de Cerimônias quase não é percebido, porque tudo acontece de forma natural. Entradas, saídas, formações e deslocamentos fluem com elegância. Quando há falhas de preparação, a sessão se torna confusa, o ritmo se quebra e a força do rito se enfraquece. Por isso, esse cargo exige memória, atenção constante e uma postura discreta.
Diáconos e Expertos: serviço, comunicação e segurança

Os Diáconos têm funções ligadas à comunicação interna da Loja. O Primeiro Diácono permanece próximo ao Venerável, recebendo dele a Palavra e as orientações que precisam chegar ao Primeiro Vigilante. O Segundo Diácono, por sua vez, se posiciona perto do Primeiro Vigilante e encaminha as mensagens ao Segundo Vigilante e às colunas. Suas joias, marcadas pela pomba, lembram o papel de mensageiros e de agentes de conciliação.

Além de transmitir ordens, esses oficiais auxiliam na condução de candidatos, participam da formação de pálio, acompanham deslocamentos e contribuem para a manutenção da disciplina no Ocidente. O trabalho é discreto, porém constante, sustentando o fluxo silencioso de comunicação entre Oriente e colunas.
Os Expertos atuam na área da segurança ritual. O Primeiro Experto, conhecido em muitos ritos como Irmão Terrível, acompanha o candidato na iniciação, orienta seus passos, verifica sinais e demonstra, pela seriedade de sua postura, que nada do que ocorre ali é mero teatro. Sua joia é o punhal, símbolo da vigilância e do compromisso com a verdade jurada.
Esses oficiais auxiliam o Cobridor no telhamento de visitantes, verificam credenciais, entregam intimações internas e, eventualmente, substituem irmãos ausentes em determinados cargos. Para cumprir esse papel, precisam de experiência, discrição e firmeza, pois lidam com fronteiras delicadas entre o mundo profano e o espaço sagrado do Templo.
Cobridor e Guarda do Templo: sentinelas da fronteira sagrada


A entrada do Templo é confiada ao Cobridor. O alfange que figura em sua joia representa proteção, corte de influências negativas e vigilância permanente. Esse oficial se mantém atento ao que ocorre no entorno, verifica quem se aproxima, identifica visitantes, impede curiosos e garante que a sessão não seja interrompida por ruídos desnecessários.
Em algumas Lojas, existe ainda o Cobridor Externo, que divide com ele essa missão, reforçando a segurança. Dentro do Templo, o Guarda do Templo observa o decoro. Ele confere se todos entram paramentados, orienta irmãos que chegam atrasados, impede que portas sejam abertas em momentos impróprios e cuida para que o silêncio e a ordem sejam preservados.
Esses cargos lembram que o Templo é um espaço de recolhimento, preparado para o trabalho simbólico. Ao atravessar a porta, o Maçom deixa do lado de fora, tanto quanto possível, as preocupações profanas. A vigilância do Cobridor e do Guarda do Templo contribui para que essa passagem seja respeitada.
Cargos complementares: cultura, convivência, música e tradição
A vida maçônica se torna mais rica quando a Loja valoriza também os cargos complementares. Essas funções não aparecem sempre nos rituais de abertura e encerramento, mas influenciam diretamente o clima interno da Oficina. Trata-se de ofícios que tocam a cultura, a convivência, a música e a identidade simbólica da Loja.

Bibliotecário: guardião do acervo e da luz do conhecimento
O Bibliotecário cuida dos livros, revistas, boletins, apostilas e demais materiais de estudo. Sua joia, o livro com pena, recorda que o conhecimento precisa ser preservado e compartilhado. Em muitas Lojas, é ele quem organiza o acervo, cataloga obras, separa textos por grau, recupera documentos antigos e incentiva os irmãos a pesquisar.
Quando esse cargo é levado a sério, o Templo ganha uma verdadeira “oficina de ideias”. Surgem grupos de estudo, rodas de leitura, indicações de obras e debates fundamentados. Quando é negligenciado, livros se perdem, materiais se deterioram, a cultura maçônica fica restrita a poucos títulos e a formação intelectual dos obreiros se torna superficial.
O Bibliotecário, portanto, alimenta a dimensão sapiencial da Maçonaria. Seu trabalho silencioso ajuda a manter viva a chama da busca pelo saber.

Mestre de Banquetes: arquiteto da convivência fraterna
O Mestre de Banquetes cuida dos ágapes e das Lojas de Mesa. Ao planejar cardápios, organizar mesas, coordenar equipes e acompanhar o protocolo, ele garante que os momentos de refeição mantenham o mesmo espírito de ordem e respeito presente no Templo. A cornucópia, joia que o identifica, simboliza abundância bem administrada.
Os ágapes não são simples confraternizações. Neles, as barreiras se suavizam, conversas se aprofundam, amizades se consolidam e novos irmãos são acolhidos com mais proximidade. O Mestre de Banquetes, ao preparar esse ambiente, trabalha diretamente na construção da fraternidade. Um ágape bem organizado reforça os laços; um ágape improvisado e confuso pode até desgastar relações.

Mestre da Harmonia: regente das emoções da Loja
O Mestre da Harmonia escolhe as músicas que acompanham os trabalhos. Sua sensibilidade contribui para criar o clima adequado em cada momento: serenidade no início das sessões, elevação durante as instruções, recolhimento nos instantes de reflexão, alegria moderada nas comemorações e consolo em situações de luto.
A atuação desse oficial atinge diretamente o campo emocional dos Irmãos. Uma música adequada ajuda a mente a se desligar do mundo exterior e a se concentrar no que ocorre no Templo. Ao selecionar repertórios, o Mestre da Harmonia precisa conhecer o espírito da Loja, respeitar as características do Rito e manter a sobriedade própria do ambiente.

Porta-Bandeira: expressão do compromisso cívico
O Porta-Bandeira conduz o pavilhão nacional nas sessões em que ele é apresentado. Seu caminhar, sua postura e sua atenção às normas de respeito à Bandeira conferem dignidade ao ato. A presença do símbolo nacional no Templo recorda que o Maçom, ao mesmo tempo em que cultiva valores universais, está inserido em uma sociedade concreta e tem deveres com seu país.
Esse cargo reforça a dimensão cívica da Maçonaria. O Irmão que conduz a Bandeira precisa fazê-lo com reverência, pois representa não apenas a Loja, mas todo um povo.

Porta-Espadas: disciplina, honra e proteção
O Porta-Espadas responde pelas espadas da Loja. É ele quem as guarda, limpa, organiza e distribui, principalmente nas sessões solenes. Quando a abóbada de aço se forma para receber autoridades, esse oficial coordena o movimento. Sua joia é a própria espada, símbolo de defesa da verdade, combate aos vícios e proteção da Ordem.
Ao cuidar desse instrumento, o Porta-Espadas preserva uma das imagens mais fortes da tradição maçônica. A espada nas mãos de um Maçom não remete à violência, e sim à firmeza de caráter, à disposição de proteger o justo e à coragem de enfrentar a mentira.

Porta-Estandarte: guardião da identidade da Loja
O Porta-Estandarte conduz o estandarte da Oficina, peça que reúne nome, número, rito, data de fundação e símbolos escolhidos pelos próprios irmãos. Em cerimônias externas, ele representa a Loja perante outras Oficinas, Potências e instituições. Em sessões internas, apresenta diante de todos a identidade visual e histórica da Loja.
Cada vez que o estandarte entra no Templo, a Loja vê, em forma de imagem, a própria trajetória. O Porta-Estandarte assume, assim, a responsabilidade de cuidar dessa memória, exibindo o emblema com respeito e dignidade.

Arquiteto: cuidador da forma e da beleza do Templo
O Arquiteto é responsável pela ornamentação e pela conservação do Templo. Sua joia é a trolha, instrumento usado para espalhar a argamassa que une pedras distintas em uma mesma parede. De modo semelhante, o Arquiteto trabalha para que todos os elementos visuais do Templo se integrem em um conjunto harmônico.
Antes dos trabalhos, ele verifica se tudo está limpo, se velas, castiçais e colunas se encontram em boas condições, se os símbolos estão no lugar correto, se faltam reparos, se algo precisa ser substituído. Ao cuidar desses detalhes, contribui para que o espaço ritual provoque nos Irmãos uma sensação de ordem, beleza e sacralidade.
Um Templo bem cuidado fala por si. Silenciosamente, inspira respeito e convida ao recolhimento. O Arquiteto, mesmo sem aparecer, participa da construção dessa atmosfera.
Conclusão: cargos em Loja Maçônica como caminho de serviço e aperfeiçoamento

Os cargos em Loja Maçônica formam uma rede de responsabilidades que, quando assumidas com consciência, transformam o Templo em um verdadeiro laboratório de aperfeiçoamento moral. Cada função, da mais visível à mais discreta, contribui para que a sessão seja regular, harmônica e espiritualmente significativa.
Ao aceitar um ofício, o Irmão se coloca a serviço da Loja e, ao mesmo tempo, ganha a chance de desenvolver virtudes específicas: o Venerável amadurece a prudência; os Vigilantes aprofundam a responsabilidade pedagógica; o Orador exercita a justiça; o Secretário cultiva a disciplina; o Tesoureiro pratica a honestidade; o Hospitaleiro fortalece a compaixão; o Mestre de Cerimônias treina a atenção; o Cobridor afia a vigilância; os cargos complementares expandem cultura, convivência, beleza e identidade.
A harmonia dos rituais depende diretamente de como os cargos em uma Loja Maçônica são desempenhados. Compreender essa trama ajuda a ver a Loja sob outra perspectiva. A sessão bem conduzida, a harmonia no Templo e a força da egrégora não surgem por acaso. São fruto do trabalho silencioso de Irmãos que, ao vestirem um colar, assumem também uma responsabilidade interior. Assim, cada cargo se torna um pequeno degrau no caminho de lapidação da pedra bruta, e a Loja, em sua totalidade, transforma-se em um Templo vivo dedicado ao Grande Arquiteto do Universo.
Referências
- FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria: seus mistérios, ritos, filosofia e história. São Paulo: Editora Pensamento, 1ª ed., 1970 (reimpressões posteriores).
- CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau – Aprendiz. São Paulo: Madras, 1ª ed., 2009.
- COLLINETTI, Dermivaldo. Cargos em Loja no REAA. In: Blog O Ponto Dentro do Círculo e materiais compilados pelo autor para a ARLS Rui Barbosa nº 46 – GLMMG, Oriente de São Lourenço.
- JUK, Pedro. REAA – Disposição dos cargos em Loja – verdades e fantasias. Blog pessoal do autor, jan. 2020.
- MONDI, Ulf Jermann. A Árvore da Vida e os Cargos Simbólicos em Loja. Publicado em blog e em apostilas maçônicas diversas.
- BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. São Paulo: Editora Pensamento, 1979.
- ISMAIL, Kennyo. As ordens arquitetônicas na Maçonaria e demais artigos sobre cargos e simbolismo em Loja, publicados no blog No Esquadro e em colaborações ao blog O Ponto Dentro do Círculo.
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