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Grau 25 REAA – Cavaleiro da Serpente de Bronze | Leitura da Bíblia (Números 21:6–9)

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“E o Senhor enviou serpentes ardentes entre o povo, que morderam o povo, e grande parte do povo de Israel morreu.

E o povo veio a Moisés e disse: Pecamos, porque falamos contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor, para que tire de nós estas serpentes; e Moisés orou pelo povo.

E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e coloca-a sobre uma haste; e todo aquele que for mordido, ao olhar para ela, viverá.

E Moisés fez uma serpente de bronze, e a pôs sobre uma haste; e acontecia que, se uma serpente mordia algum homem, quando ele olhava para a serpente de bronze, ficava vivo.”

Números, 21:6–9


A leitura bíblica do Grau 25 e o poder simbólico da cura

A passagem bíblica que inspira o Grau 25 do Rito Escocês Antigo e Aceito apresenta um dos episódios mais intrigantes do deserto mosaico: a serpente de bronze erguida por Moisés, diante da qual o povo encontrava cura ao elevar o olhar. Esse gesto, aparentemente simples, contém uma arquitetura simbólica profunda. Não é apenas uma cena ritual; é uma chave para compreender o mecanismo interior da transformação.

O Cavaleiro da Serpente de Bronze é conduzido a reconhecer que o processo de cura espiritual não nasce da fuga, mas do enfrentamento. A serpente, tradicionalmente associada ao perigo, torna-se instrumento de salvação. O mesmo símbolo que fere é aquele que desperta. Em linguagem iniciática, isso significa que aquilo que adoece o homem também pode curá-lo, quando compreendido e transmutado.

A serpente ardente e o despertar da consciência

A narrativa se inicia com o povo em conflito consigo mesmo. O murmúrio coletivo produz um estado interior que se materializa na figura das serpentes ardentes. São imagens vivas dos impulsos que escapam ao controle, dos excessos que se acumulam quando a consciência perde sua ordenação.

No simbolismo do Grau 25, essas serpentes representam os movimentos internos que se tornam destrutivos quando não são observados. Vaidade, orgulho, agressividade, fanatismo, rigidez — cada uma delas pode picar, paralisar e desviar a alma.

A cura começa quando o povo reconhece a própria responsabilidade. Só depois desse reconhecimento é que Moisés é procurado. A Escritura ensina, assim, que a regeneração interior exige um primeiro passo: admitir a existência da sombra. Nada se transforma enquanto o indivíduo insiste em ignorar aquilo que produz o veneno.

A serpente de bronze: o símbolo que desperta, não o objeto que opera

Ao ordenar que Moisés erga uma serpente de bronze, a narrativa bíblica estabelece um princípio iniciático essencial. A cura acontece quando o homem decide olhar para o símbolo e compreender seu sentido. A transformação não vem do objeto, mas do movimento interior que o olhar provoca.

Esse é um eixo vital do Grau 25:
um símbolo só age quando desperta consciência.

Por isso, séculos depois, quando o objeto passa a ser adorado como um ídolo, ele é destruído. O texto bíblico mostra de maneira clara que o poder não reside na forma, mas na intenção com que ela é contemplada.

O Cavaleiro da Serpente de Bronze é chamado a cultivar esse discernimento. A iniciação não se perde quando o símbolo é compreendido, mas quando é idolatrado. A serpente elevada nos recorda que o olhar é mais importante que o objeto olhado.

A dualidade da serpente e o caminho da transmutação

Desde os primórdios das civilizações, a serpente ocupa um lugar ambíguo: representa tanto a ameaça quanto a sabedoria. No contexto do Grau 25, essa ambiguidade deixa de ser contraditória e se converte em método iniciático.

A serpente ardente mostra o impulso desordenado.
A serpente de bronze mostra o impulso transmutado.

A iniciação não exige que o homem destrua suas forças internas, mas que as eleve. A serpente sobre a haste representa o instante em que a natureza inferior deixa de arrastar para baixo e passa a conduzir para cima.

É o princípio alquímico em sua forma mais pura:
o que era veneno se torna remédio quando elevado à luz da consciência.

A haste e o eixo da vida interior

A haste sobre a qual a serpente é colocada foi interpretada, ao longo dos séculos, como o Tau hebraico, o Ankh egípcio ou o bastão curativo que inspirou o Caduceu. Essas tradições convergem para uma mesma ideia: o homem possui um eixo interno que une terra e céu, instinto e inteligência, impulso e propósito.

O Grau 25 se enraíza nessa simbologia. Ele resgata a ancestral percepção de que a cura não é um evento extraordinário, mas um retorno ao eixo. A serpente erguida só cumpre sua função quando o homem levanta o olhar — isto é, quando deixa de girar em torno de si mesmo e volta-se para sua verticalidade.

Discernimento: a verdadeira medicina espiritual

A passagem bíblica mostra que a cura oferecida no deserto não era mágica. Ela dependia do gesto consciente de contemplar o símbolo para compreender sua mensagem. A serpente de bronze ensina que toda forma simbólica é um veículo, e não um destino.

O Cavaleiro da Serpente de Bronze aprende a distinguir essencial de acessório, interior de exterior, sentido de aparência. A iniciação torna-se frágil quando o símbolo ocupa o espaço destinado ao sagrado. Todo excesso de devoção à forma é um passo em direção à idolatria — e a idolatria, nesse contexto, não é tema religioso: é o hábito de substituir a experiência direta pela dependência do intermediário.

O Grau 25 educa o olhar para que ele ultrapasse a superfície.

A cura pelo olhar e a responsabilidade interior

Na Escritura, o homem picado pela serpente precisava voltar-se conscientemente para a serpente erguida. A cura não vinha do objeto, mas da decisão interior de buscar o alto.

Esse gesto reúne três movimentos fundamentais da iniciação:

• reconhecer o erro;
• despertar o olhar;
• assumir a própria transformação.

A cura não é transferível. O olhar é sempre individual. Cada buscador precisa erguer seus próprios olhos — ninguém pode fazer isso em seu lugar.

A moral do Grau 25 à luz da leitura bíblica

A lição moral do Grau 25 convoca o iniciado a um tipo de sobriedade espiritual: a capacidade de ver símbolos como símbolos. A serpente de bronze recorda que a busca pela Verdade é perigosa quando a consciência se fixa na forma e esquece o significado.

O Cavaleiro da Serpente de Bronze aprende a caminhar com leveza diante dos símbolos, a utilizá-los como pontes, não como moradas. Sua jornada interior consiste em elevar o que é instintivo, disciplinar o que é confuso e transformar o que é obscuro em conhecimento que cura.

A simbologia viva do Grau

A serpente de bronze, elevada sobre a haste, expressa a possibilidade de ascender acima das próprias paixões.
A lâmpada, que acompanha o Grau, recorda que toda cura exige vigilância interior, clareza de espírito e atenção constante.

São símbolos que atravessam civilizações e que, até hoje, acompanham a ciência da cura.

Conclusão: a serpente que salva é a consciência desperta

A leitura bíblica do Grau 25 ensina que transformação espiritual não consiste em eliminar as forças que perturbam, mas em compreendê-las e elevá-las. A serpente ardente mostra o caos; a serpente de bronze revela o caminho de volta ao equilíbrio.

A verdadeira cura ocorre quando o homem decide olhar para dentro e para cima ao mesmo tempo. É no gesto de elevar o olhar que nasce a consciência que salva — consciência que não teme a serpente, pois sabe que ela pode tornar-se luz quando encontra o eixo que a sustenta.

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Acompanhe nossa série sobre as leituras bíblicas dos Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito e aprofunde-se no simbolismo que une Escritura, Tradição e Iniciação.

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