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“E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro para medir a cidade, e os seus portões, e o seu muro.
E a cidade está em um quadrado; e o seu comprimento é tão grande quanto a largura. E ele mediu a cidade com a cana até doze mil estádios. Seu comprimento, largura e altura são iguais.
E ele mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, de acordo com a medida de um homem, isto é, de um anjo.
E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade era ouro puro, semelhante ao vidro límpido.
E os fundamentos do muro da cidade estavam decorados de todo tipo de pedras preciosas. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda (…)”
Apocalipse, 21:14–19
A leitura bíblica do Grau 19 e sua função iniciática
A leitura bíblica adotada no Grau 19 do Rito Escocês Antigo e Aceito não descreve um cenário escatológico destinado ao futuro, mas estabelece um modelo simbólico de conduta e responsabilidade para o iniciado que assume o título de Grande Pontífice. A Nova Jerusalém apresentada no Apocalipse não é um fim em si mesma, mas um arquétipo da obra moral que o maçom é chamado a realizar.
Neste Grau, o ensinamento central não é mais o combate, mas a mediação. O iniciado deixa de atuar apenas como construtor do Templo simbólico e passa a ser preparado como construtor de pontes, ligando o mundo imperfeito ao ideal espiritual. Assim, a leitura bíblica funciona como manual simbólico da missão do Grau.
A cidade quadrada e a exigência de coerência moral
A Jerusalém descrita por João possui forma quadrada e proporções perfeitamente iguais. No contexto do Grau 19, essa geometria simboliza a coerência absoluta exigida do Grande Pontífice. Pensamento, palavra e ação devem possuir a mesma medida, assim como comprimento, largura e altura da cidade.
Essa imagem bíblica ensina que o iniciado não pode atuar como mediador se for internamente fragmentado. O Grau 19 exige estabilidade moral, retidão de caráter e fidelidade às virtudes, pois apenas aquele que se encontra equilibrado pode servir de ponte entre mundos opostos.
A cana de ouro e o critério espiritual do julgamento
O anjo mede a cidade com uma cana de ouro, e não com instrumentos humanos comuns. Essa imagem bíblica encontra correspondência direta no ensinamento do Grau 19: o Grande Pontífice não é julgado por critérios externos, títulos ou linhagem, mas por padrões espirituais elevados.
O ouro, símbolo da perfeição e da incorruptibilidade, indica que as ações do iniciado devem resistir ao tempo, à tentação e às circunstâncias. O Grau ensina que não basta agir corretamente quando observado; é necessário manter a retidão mesmo quando ninguém vê.
Os doze fundamentos e a missão integradora do Grau
Os doze fundamentos do muro da cidade, associados aos apóstolos, são compreendidos no Grau 19 como símbolo da universalidade da Verdade. O Grande Pontífice não serve a um exclusivismo doutrinário, mas a princípios permanentes que atravessam culturas, tradições e épocas.
Esse ensinamento reforça o caráter ecumênico e conciliador do Grau. O iniciado aprende que sua missão não é dividir, mas integrar; não é impor, mas harmonizar. A leitura bíblica ensina que a Nova Jerusalém só se sustenta quando seus fundamentos são múltiplos, porém ordenados.
Ouro, pedras preciosas e a construção interior do Pontífice
A cidade é descrita como ouro puro, semelhante ao vidro límpido, com fundamentos adornados por pedras preciosas. No Grau 19, essa descrição deixa claro que a verdadeira obra do Grande Pontífice é interior.
O ouro representa a pureza de intenções; o vidro límpido, a transparência moral; e as pedras preciosas, as virtudes lapidadas ao longo da caminhada iniciática: Virtude, Sinceridade, Moderação, Verdade, Justiça e Tolerância. Cada virtude corresponde a uma pedra fundamental da ponte simbólica que o iniciado deve construir.
O Grande Pontífice como construtor de pontes
O título Pontífice, derivado de pontifex, expressa com precisão a essência do Grau 19. A leitura bíblica da Nova Jerusalém ensina que o iniciado deve atuar como elo entre a Jerusalém destruída — marcada por conflitos, intolerância e fragmentação — e a Jerusalém Celeste, símbolo da ordem, da luz e da harmonia.
Essa ponte não é feita de palavras, mas de ações. No Grau 19, aprende-se que cada gesto justo fortalece a estrutura da ponte, enquanto cada falha moral cria fissuras que podem comprometer toda a obra.
A Ordem de Melquisedeque e o sacerdócio simbólico do Grau
Ao ser associado à Ordem de Melquisedeque, o iniciado é instruído de que seu sacerdócio não decorre de herança, cargo ou hierarquia, mas de conduta moral e responsabilidade espiritual. Assim como Melquisedeque não pertenceu à linhagem levítica, o Grande Pontífice não é avaliado por sua origem, mas por suas escolhas.
A leitura bíblica reforça que esse sacerdócio é vivido no cotidiano, por meio da fé, da devoção, da justiça e da tolerância. O Grande Pontífice não governa; ele serve. Não impõe; ele exemplifica.
Moral do Grau 19 à luz da leitura bíblica
A passagem do Apocalipse ensina que construir é um ato lento e sagrado, enquanto destruir é rápido e fácil. Por isso, a moral do Grau 19 enfatiza não apenas a edificação, mas a preservação.
Virtude, Sinceridade, Moderação, Verdade, Justiça e Tolerância não são conceitos abstratos, mas ferramentas indispensáveis para que o iniciado cumpra sua missão de mediador. A leitura bíblica deixa claro que a Nova Jerusalém só permanece de pé quando seus construtores são vigilantes e coerentes.
Conclusão: a leitura bíblica como instrução do Grau
A leitura bíblica do Grau 19 do Rito Escocês Antigo e Aceito ensina que a Nova Jerusalém não é um dom concedido, mas uma obra a ser construída. Ela começa no interior do homem e se manifesta no mundo por meio de atitudes justas, equilibradas e conciliadoras.
O Grande Pontífice é chamado a ser ponte viva entre o ideal e o real, entre a luz e a imperfeição humana. É assim que a Escritura, no contexto do Grau 19, deixa de ser apenas texto sagrado e torna-se instrução iniciática, orientando o maçom em sua responsabilidade espiritual e moral.
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