
Desde os primórdios da civilização, a humanidade tem se lançado em uma busca incessante por uma palavra perdida, uma “chave mestra” capaz de destrancar os portões que separam o homem do divino. As tradições antigas sussurram que este nome não deve ser pronunciado em vão. Mais do que uma simples etiqueta vocal, dizem que ele contém a fórmula matemática da própria estrutura do universo: Tetra (quatro), Grama (letra).
Hoje, convido você, buscador da verdade e estudante da Arte Real, a mergulhar profundamente no significado do Tetragrammaton. Não vamos apenas observar a superfície; vamos decodificar o símbolo mais poderoso do ocultismo ocidental, analisando a representação clássica do ocultista Eliphas Levi e entendendo, de uma vez por todas, por que este símbolo é temido pelas trevas e reverenciado pelos sábios.
Se você busca entender a conexão entre a Cabala, a Alquimia, a Maçonaria e a Astrologia contida em uma única estrela de cinco pontas, você está no lugar certo.
O Nome Inefável: A Fórmula da Criação (YHWH)
Tudo começa com o nome sagrado de Deus em hebraico: YHWH (Iavé ou Jeová). Para o leigo, é apenas um nome bíblico. Mas para os iniciados nos mistérios antigos, estas quatro letras representam muito mais do que uma identidade divina; elas são uma fórmula de criação.
O Tetragrammaton não descreve quem Deus “é”, mas sim como Deus cria e sustenta o universo. Vamos decompor essa fórmula sagrada, elemento por elemento:

1. Yod (י) – O Princípio Masculino
A primeira letra é o Yod. Na simbologia oculta, ela representa o princípio masculino, o Fogo primordial. É a semente inicial, a faísca da criação que surge do nada. É a vontade ativa, o impulso de Deus que dá início a todas as coisas. Sem o Yod, não há começo.
2. He (ה) – O Princípio Feminino
A segunda letra é o He. Se o Yod é a semente, o He é a terra fértil. Representa o princípio feminino, o elemento Água. É a taça que recebe a semente, o grande útero cósmico que dá forma à vontade do Pai. Sem a Água para conter o Fogo, a energia se dispersaria no caos.
3. Vav (ו) – O Filho e o Elo
A terceira letra é o Vav. Ele representa o elemento Ar. Sua função é crucial: ele é o elo que une o Pai (Yod) e a Mãe (He). O Vav é o intelecto, o espírito em movimento, o Filho que resulta da união dos opostos. É a circulação da vida que impede a estagnação.
4. He (ה) – O Resultado Final
Por fim, o nome termina com um segundo He. Este representa o elemento Terra. Não é uma repetição da mãe, mas sim o resultado final da operação: o mundo físico, a matéria densa onde vivemos.
Portanto, Fogo, Água, Ar e Terra não são apenas elementos químicos antigos; são estados de vibração da consciência divina. Juntos, eles formam o Nome Inefável. Pronunciá-lo corretamente não é um ato das cordas vocais, mas um ato de alinhar sua própria existência com esses quatro princípios universais.
O Pentagrama de Eliphas Levi: A Anatomia do Mistério
No século XIX, o famoso ocultista Eliphas Levi trouxe ao mundo a representação visual definitiva do Tetragrammaton. Ele pegou o conceito abstrato das quatro letras hebraicas e o inscreveu em um Pentagrama (estrela de cinco pontas), criando um verdadeiro “mapa do tesouro” para o ocultista moderno.
Mas como ler este mapa? Vamos analisar cada detalhe, começando de fora para dentro.

O Anel Externo: O Mantra de Poder
Ao redor da estrela, lemos as sílabas separadas: TE-TRA-GRAM-MA-TON.
- Tetra: Quatro.
- Grama: Palavra/Letra.
- Ton: Som.
Aqui reside um segredo fonético. A sílaba final, “TON”, e as letras “TRA” e “MA”, formam uma ressonância com o OM oriental. O “OM” é considerado o som primordial do universo, a vibração fundamental que sustenta a realidade. No Hinduísmo e no Yoga, este som simboliza a trindade de criação, preservação e transformação.
Ao inscrever isso no pentagrama, Levi sugere que o Tetragrammaton é um mantra ocidental que ativa a “Quinta Essência” (o Espírito), trazendo calma, equilíbrio e conexão entre o Eu inferior e o Cosmos.
A Matemática Divina: O Binário e o Ternário
Acima da sílaba TE, vemos os números 1 e 2. Este é o conceito do Binário. Tudo no universo manifesto possui polaridade: Luz e Sombra, Masculino e Feminino, Ativo e Passivo. É a origem da dualidade necessária para a experiência humana.
Do outro lado, acima da sílaba TRA, a sequência evolui para 1, 2 e 3. Aqui o binário é superado pelo Ternário. O número 3 representa o Logos, a tríade divina (Pai, Mãe e Filho) ou (Tese, Antítese e Síntese). É o triângulo sagrado que traz a razão, o equilíbrio e o Verbo Divino. O 3 é o número que permite a construção, a estabilidade e o retorno à unidade.
Simbologia Astrológica e Planetária no Tetragrammaton
O Pentagrama de Levi não é apenas cabalístico; é profundamente astrológico. Cada ângulo e posição da estrela está conectado a uma força planetária que influencia a psique humana e a magia cerimonial.
1. Júpiter: Os Olhos do Pai
No ângulo superior (a cabeça do pentagrama), encontramos o símbolo de Júpiter e, logo abaixo, os “Olhos do Pai”. Júpiter é o planeta da expansão, da benevolência e da ordem. Os olhos abertos representam a Onisciência Divina e o despertar da consciência superior. É o Espírito (o topo da estrela) vigiando e coordenando os quatro elementos. Nada escapa à visão do Grande Arquiteto.
2. Marte: A Força da Criação
Nos braços da estrela, encontramos o símbolo de Marte. Marte representa a força motriz, a energia pura, a coragem e a capacidade de “fazer acontecer”. Na criação, é a energia cinética necessária para romper a inércia do nada. Sem a força marciana, a espiritualidade seria passiva e inoperante.
3. Saturno: O Mestre e o Tempo
Nos ângulos inferiores (as pernas da estrela), vemos o símbolo de Saturno. Saturno é o senhor do tempo, da disciplina e da restrição. Na magia, ele representa os mestres que anularam o próprio ego e superaram as falhas inerentes ao ser humano. Estar na base da estrela significa que a disciplina e a estrutura são os fundamentos (os pés) que sustentam a ascensão espiritual.
4. Sol e Lua: A Polaridade Universal
Nas linhas verticais, próximos ao centro, estão o Sol e a Lua. Eles fazem referência direta aos polos universais de energia:
- Sol: Masculino, elétrico, ativo, emissor.
- Lua: Feminino, magnético, passivo, receptor. Esta dualidade está contida em todos os organismos vivos, no microcosmo (homem) e no macrocosmo (universo). O segredo da magia reside no equilíbrio entre estas duas forças.
5. Mercúrio e Vênus: A União Alquímica
No centro exato do pentagrama, sobrepostos, encontramos Mercúrio e Vênus.
- Vênus traz o amor, a beleza e a atração.
- Mercúrio traz o intelecto, a comunicação e a velocidade. A união destes dois no centro simboliza o Hermafrodita Alquímico (Hermes + Afrodite), o ser perfeito e equilibrado. Desta união surge o Caduceu de Mercúrio desenhado no eixo vertical, que simboliza a transmutação alquímica, a subida da energia Kundalini pela coluna vertebral e o perfeito equilíbrio entre as forças solares e lunares.
Os Instrumentos do Mago e a Alquimia
O Tetragrammaton de Levi também funciona como um inventário das “Armas Mágicas” do iniciado. Cada um destes símbolos está correlacionado com um dos quatro elementos da natureza e com os naipes do Tarot.
O Cálice (Elemento Água)
Acima do braço direito, sob as letras TRA, vemos um Cálice. Este é o símbolo supremo do Sagrado Feminino na alquimia. O cálice recebe, contém e dá forma. Ele representa a intuição, as emoções e o elemento Água. Na lenda do Graal, é o receptáculo do sangue real (Sangraal).
O Báculo ou Bastão (Elemento Terra)
Ao lado das letras GRAM, vemos o Bastão (ou Báculo). Este instrumento, dividido em sete escalas, representa os sete estágios de evolução da consciência e os sete planetas da astrologia clássica. O Báculo é o símbolo da autoridade, da vontade firme e do elemento Terra. É com o bastão que o mago “terra” sua vontade na realidade física.
A Espada Flamejante (Elemento Fogo)
Embaixo das letras MA, encontramos a Espada. Na alquimia, a espada representa o elemento Fogo e o intelecto aguçado que “corta” a ilusão. Quando associada ao Tetragrammaton, ela simboliza o polo masculino e o falo – não apenas no sentido sexual, mas como símbolo de fertilidade e projeção de vontade ativa nas antigas tradições.
O Hexágono do Mago (Elemento Ar)
Finalmente, dentro da letra “O” de TON, há um Hexágono. Esta figura geométrica representa o domínio do Espírito sobre a Matéria e está relacionada ao elemento Ar. É a estrutura, a organização mental e a cristalização do pensamento divino.
Alpha e Ômega: O Princípio e o Fim
Ainda na composição visual, observamos as letras gregas Alpha (Α) e Ômega (Ω).
- Alpha: Está logo abaixo dos olhos do Pai. É o início, a primeira respiração da criação.
- Ômega: Encontra-se invertido na base do Caduceu. É o fim, a conclusão, o retorno.
Essa disposição nos lembra a frase bíblica: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”. Mas o Ômega invertido também possui um significado oculto: ele se assemelha ao caldeirão dos alquimistas ou ao “útero da Deusa”, o local onde a Grande Obra é gestada e finalizada.
O Caminho da Iniciação: Adão, Eva e a Redenção
A leitura das inscrições em hebraico nos braços da estrela revela o drama cósmico da humanidade.
No braço direito, as letras hebraicas formam a palavra ADAM (Adão). Isso não se refere apenas ao personagem bíblico, mas à “Raça Adâmica” – os homens solares, nossos antepassados arquetípicos, ou a humanidade em seu estado potencial de perfeição. Representa a inteligência no microcosmo.
Mas para que Adão retorne ao estado divino, são necessários dois processos, inscritos nos braços laterais:
- KAPHAR (Esquerda): A Expiação. A capacidade de limpar os próprios erros, de transmutar o chumbo dos vícios no ouro das virtudes.
- PACHAD (Direita): O Temor. Não o medo covarde, mas o respeito profundo (o temor reverente) perante as forças universais e a Lei Divina.
E onde está Eva? Muitos perguntam onde está o feminino nesta equação. Ela está oculta nos símbolos. Eva está no Cálice Sagrado, no Ômega invertido (o útero da criação) e na própria estrutura geométrica que acolhe os símbolos masculinos. O Tetragrammaton é a dança eterna entre o Sagrado Masculino e o Sagrado Feminino.
Por que as Trevas Temem este Símbolo?

Chegamos à questão prática e espiritual mais fascinante deste estudo. Por séculos, magos, alquimistas e místicos usaram o Tetragrammaton em portas, medalhões e anéis de proteção. Por quê?
Acredita-se, na tradição ocultista, que entidades de “baixa vibração”, larvas astrais ou demônios não suportam a visão da Ordem Perfeita.
O caos (as trevas) é a ausência de lei e estrutura. O Tetragrammaton é a representação matemática e geométrica da imposição da Ordem Divina sobre o Caos. Quando um ser das trevas “olha” para o Tetragrammaton, ele vê a hierarquia inquebrável do universo:
- O Espírito (ponta superior) governando os quatro elementos.
- A Razão governando o Instinto.
- A Luz dissipando a Sombra.
Ao visualizar ou portar este símbolo, você não está apenas usando um desenho; você está fazendo uma declaração cósmica. Você está declarando que o seu Espírito (a ponta de cima) está no comando absoluto dos seus instintos e paixões animais (as pontas de baixo).
É por isso que o Pentagrama invertido é associado ao “mal” ou ao materialismo: ele representa o espírito subjugado pela matéria, os instintos dominando a razão. O Tetragrammaton em sua posição correta é o triunfo da Luz.
Conclusão: Você é o Tetragrammaton
Meus irmãos e buscadores, a maior lição que podemos tirar deste estudo não é histórica, mas pessoal.
O Pentagrama não é mágico porque o desenho tem poder intrínseco no papel ou no metal. Ele é mágico porque VOCÊ é o Tetragrammaton.
- Você possui a faísca divina (Yod).
- Você possui a emoção e a intuição (He).
- Você possui o intelecto e o movimento (Vav).
- Você possui um corpo físico (He final).
O documento visual que analisamos, legado por Eliphas Levi, é na verdade um espelho. Ele representa o Homem Realizado, a entidade humana que evoluiu em todos os estágios espirituais e assumiu o trono de sua própria consciência.
Para nós, Maçons e estudantes da Arte Real, este símbolo é um lembrete constante do nosso trabalho: Lapidar a Pedra Bruta. Devemos trabalhar incansavelmente até que nossa pedra (nosso caráter) reflita a harmonia geométrica do Grande Arquiteto do Universo, assim como este símbolo reflete.
Não basta usar o símbolo no peito; é preciso gravá-lo no caráter.
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